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Presidente destaca plano social 'mais ambicioso da história' do México em seu primeiro ano de governo
Claudia Sheinbaum comemorou neste domingo seu primeiro ano como presidente do México com milhares de apoiadores, diante dos quais destacou seu grande plano de assistência social como "o mais ambicioso da história" do país.
Com uma descrição detalhada dos seus programas, que beneficiam 21 milhões de pessoas - entre aposentados, estudantes, crianças e agricultores - e mais de 2 milhões de famílias, a presidente destacou suas conquistas no combate à pobreza e desigualdade.
"Este é o plano social mais ambicioso da história do México, fundado no princípio da confiança do nosso povo e de que os direitos sociais são a base do bem-estar", destacou Claudia em seu discurso.
A presidente disse estar "segura" de que chegará "a um bom acordo" com os Estados Unidos, destino de mais de 80% das exportações mexicanas e com quem deve revisar no próximo ano o tratado comercial, que inclui o Canadá.
O comércio com os Estados Unidos é chave para a economia mexicana e para atrair fundos para a agenda social ambiciosa de Claudia. O investimento social se aproxima neste ano de 54,3 bilhões de dólares (R$ 290 bilhões), cerca de 12% do orçamento do governo federal. Para 2026, está prevista uma verba semelhante.
A segunda maior economia da América Latina, atrás do Brasil, crescerá apenas 0,5% neste ano e 1,4% em 2026, segundo estimativas privadas e do Banco do México (central).
- Finanças vulneráveis -
O desempenho atual da economia mexicana é marcado, entre outros fatores, por "contas fiscais mais apertadas e um setor externo vulnerável", disse à AFP Gerónimo Ugarte, economista-chefe da gestora da bolsa Valmex. O déficit fiscal se ampliou devido ao "aumento do gasto social e ao maior custo financeiro da dívida", assinalou.
A esses desafios se soma a queda da receita obtida com remessas provenientes, em sua maioria, dos Estados Unidos, que representam um alívio para milhões de mexicanos. Em agosto, elas tiveram o quinto mês consecutivo de queda, em meio à política de deportações agressiva de Trump.
Essas receitas somaram, no ano passado, 64,74 bilhões de dólares (R$ 400 bilhões, em valores de dezembro), o equivalente a 3,7% do PIB do país.
- Festejo colorido -
A primeira presidente da história do México comemorou seu primeiro ano no poder com um banho de massas no Zócalo da capital mexicana, principal praça pública do país.
Milhares de pessoas se concentraram em um clima festivo, com bandas de música, shows de acrobatas e pontos de venda de suvenires e comida.
"Vim agradecer à presidente por todas as oportunidades que tivemos, tanto de trabalho quanto pessoais", disse, sorridente, Ariadna Sánchez, arquiteta de 35 anos.
Claudia conta com uma aprovação de mais de 70%, segundo três pesquisas de opinião publicadas na semana passada, que atribuem esse forte apoio a seus programas de pensões, bolsas de estudo e outras ajudas.
Grupos organizados de sindicatos e outras entidades cobrem o Zócalo com bandeiras multicoloridas e balões com mensagens de apoio à presidente.
Rodrigo Guillén, trabalhador do setor hoteleiro do estado de Tabasco (sudeste), viajou por 20 horas com seus pais para participar da comemoração. Os três vestiam chapéus com folhas verdes, usados na tradicional Danza del Poncho, originária dessa região.
"Há mais consideração com os jovens, eles têm recebido apoio para continuar estudando e para que não fiquem parados em uma única coisa", disse Guillén, 30.
Claudia também tem boa aprovação por sua forma de lidar com o presidente americano. O magnata ameaça continuamente com altas tarifas e soluções de força contra os cartéis mexicanos do narcotráfico, mas ela tem conseguido mantê-lo na linha.
Doutora em engenharia energética, a presidente, 63, ainda vive uma lua-de-mel, graças à queda da pobreza iniciada por seu antecessor e correligionário Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), segundo pesquisas. Entre 2020 e 2024, pelo menos 8,3 milhões de pessoas saíram dessa situação no país, de 130 milhões de habitantes.
Mas as mesmas pesquisas, elaboradas pelos jornais El País e El Financiero, concluem que os pontos fracos da presidente são o combate ao crime organizado e a gestão econômica, crítica para os programas de bem-estar.
T.Sanchez--AT