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Violência política sacode a Colômbia com ameaças a presidente e senadora
Uma senadora governista foi sequestrada por algumas horas e o presidente Gustavo Petro denunciou que foi alvo de uma tentativa de assassinato: a Colômbia vive um recrudescimento da violência política, em pleno período eleitoral.
A senadora Aida Quilcue, 53, líder indígena e integrante do partido de Petro, foi sequestrada com seus dois seguranças no departamento do Cauca, uma região produtora de coca controlada por dissidentes da extinta guerrilha das Farc.
Três horas e meia após o seu desaparecimento, o governo informou que ela estava livre, graças a um resgate feito por um grupo de indígenas que costuma enfrentar os rebeldes.
Aida foi transferida para Popayán, capital do Cauca, em um tanque do Exército. Ela contou à AFP que homens armados interceptaram seu veículo sem informar a que grupo pertenciam.
"Eles nos tiraram do carro e nos levaram a pé para um local desconhecido", contou a senadora. Segundo ela, os sequestradores fugiram ao notar a presença dos indígenas.
Ameaças a autoridades, candidatos e líderes sociais se multiplicam na Colômbia antes das eleições legislativas de 8 de março e das presidenciais de 31 de maio.
- 'Grito de guerra' -
O povo indígena nasa, ao qual Aida pertence, é fortemente ameaçado por grupos ilegais. A senadora já havia denunciado um atentado contra ela quando concorria ao Senado em 2022.
Habitualmente trajada com lenços e diademas vermelhos e verdes, cores distintivas do povo nasa, Aida é uma líder indígena importante e ganhadora do prêmio nacional de defesa dos direitos humanos na Colômbia.
"Onde não a soltem é um grito de guerra contra todos os indígenas do Cauca e do país", havia dito Gustavo Petro, ao anunciar o sequestro da senadora.
Em meio à nova política do presidente de guerra frontal contra os grupos armados, o maior cartel do país, conhecido como Clã do Golfo, suspendeu nos últimos dias os diálogos de paz com o governo.
O acordo do Estado com as Farc em 2016 aliviou por alguns anos a violência política, mas as próximas eleições podem ser algumas das mais violentas desde então.
- Ameaçado -
Petro afirmou hoje que escapou de uma tentativa de assassinato na véspera, quando voava de helicóptero, o que o impediu de pousar à noite no departamento de Córdoba.
"Pegamos mar aberto durante quatro horas e cheguei aonde não tínhamos que chegar", "escapando de que me matem", disse o presidente, em um conselho de ministros exibido pela TV. O líder de esquerda afirma há meses que existe um plano do narcotráfico para assassiná-lo.
Centenas de municípios da Colômbia estão sob o risco de atos de violência eleitoral e de pressão de grupos armados, que buscam influenciar as eleições de 2026, indicou a MOE, plataforma de observação eleitoral, de organizações civis.
A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) assumiu a autoria de um atentado contra a caravana de um senador na semana passada, em Arauca, na fronteira com a Venezuela. O político não estava na caminhonete, mas dois seguranças morreram.
O assassinato do candidato presidencial e senador de direita Miguel Uribe em agosto, vítima de um ataque a tiros, reavivou o fantasma da violência do narcotráfico contra políticos nas décadas de 1980 e 1990. Durante o governo Petro, houve ao menos quatro agressões contra senadores, incluindo a de Miguel Uribe.
Primeiro presidente de esquerda do país, Petro denunciou em 2024 outra suposta tentativa de assassinato contra si, que o impediu de participar de um desfile militar em 20 de julho daquele ano.
A Colômbia é um dos países mais letais para defensores de direitos humanos e ambientais e líderes sociais. Também tem uma longa lista de dirigentes de esquerda assassinados, incluindo candidatos presidenciais, em decorrência de alianças entre narcotraficantes, grupos paramilitares e agentes do Estado.
W.Stewart--AT