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Argentina elimina impostos sobre exportação de grãos até 31 de outubro
A Argentina anunciou, nesta segunda-feira (22), a eliminação temporária de impostos sobre a exportação de grãos com o objetivo de fortalecer suas reservas, enquanto espera obter ajuda financeira do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar a turbulência cambial que despencou o peso na semana passada.
O objetivo é "gerar uma maior oferta de dólares", disse o porta-voz presidencial Manuel Adorni no X.
O presidente Javier Milei viajará para os Estados Unidos, onde deverá se reunir com o presidente americano, Donald Trump, na terça-feira, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Os Estados Unidos "estão prontos para fazer o que for necessário" para apoiar a Argentina, anunciou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, nesta segunda-feira, na rede X.
"Essas opções podem incluir, mas não se limitam a, linhas de swap, compras diretas de moeda estrangeira e aquisições de dívida governamental denominada em dólares americanos", detalhou o secretário em sua mensagem.
O presidente argentino agradeceu a Trump e Bessent por "seu apoio incondicional ao povo argentino".
"Aqueles de nós que defendemos as ideias de liberdade devemos trabalhar juntos", disse Milei no X.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Gerardo Werthein, considerou o encontro planejado entre Trump e Milei "muito auspicioso, uma demonstração de apoio".
Sobre o valor do empréstimo, o chanceler afirmou que "tem havido muita especulação; tem-se falado em 30 bilhões de dólares (cerca de R$ 160 bilhões, na cotação atual) e isso é absolutamente equivocado (...). É verdade que estamos trabalhando, mas com um valor menor", disse ele em declaração à Rádio Mitre.
A Argentina assinou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de 20 bilhões de dólares em abril (cerca de R$ 113 bilhões, na cotação da época).
- Sede de dólares -
Enquanto aguarda a ajuda do Tesouro dos Estados Unidos, o governo argentino espera que a eliminação dos impostos sobre a exportação de grãos incentive os agricultores a venderem antes das eleições legislativas nacionais em 26 de outubro.
Para isso, a medida impõe o prazo final de 31 de outubro, segundo o decreto publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial.
Os anúncios esfriaram o mercado de câmbio, onde o peso abriu nesta segunda-feira 3% abaixo da cotação de sexta-feira, a 1.475 pesos por dólar americano.
O governo enfrenta uma desvalorização cambial há várias semanas, que se agravou após sua derrota para o peronismo em 7 de setembro nas eleições legislativas na província de Buenos Aires, a mais populosa do país.
A derrota eleitoral de quase 14 pontos enfraqueceu suas aspirações para as eleições legislativas nacionais em 26 de outubro.
Além disso, o Congresso derrubou um veto presidencial e aprovou uma lei que aumenta os fundos para pessoas com deficiência, em flagrante desafio à política de ajuste orçamentário do presidente Javier Milei.
O setor de pessoas com deficiência é alvo de uma investigação judicial por suspeitas de suborno em um caso que envolve Karina Milei, irmã do presidente, seu braço direito e secretária-geral da Presidência.
O Parlamento debate a derrubada de outros vetos para apoiar maiores verbas para saúde e educação, o que poderia levar a novas derrotas políticas para o presidente.
Nesse contexto, os mercados financeiros reagiram com uma forte desvalorização do peso e uma queda nos títulos e ações.
O ministro da Economia, Luis Caputo, anunciou na semana passada que o governo está disposto a "vender todos os dólares necessários" para manter o peso dentro dos limites de flutuação estabelecidos pelo governo.
Isso levou o Banco Central a vender mais de 1 bilhão de dólares (R$ 5,32 bilhões na cotação atual) em reservas na semana passada, elevando o índice de risco-país medido pelo JP Morgan para mais de 1.400 pontos.
Para atrair a liquidação das exportações de grãos, o governo já havia reduzido os impostos sobre as vendas ao exterior em julho.
No caso da soja, produto de maior exportação do país, foram reduzidas de 33% para 26% para os grãos e de 31% para 24,5% para os derivados.
"Não gostamos da natureza temporária da situação", disse Nicolás Pino, presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), que representa os grandes produtores. "Vemos isso como uma oportunidade para atingir esse objetivo: tornar permanente a retenção zero na fonte", acrescentou em entrevista ao canal de televisão LN+.
Estima-se que o setor agrícola retenha o equivalente a aproximadamente 7 bilhões de dólares (R$ 37,2 bilhões) em exportações agrícolas.
"Obviamente, a Argentina precisa de dólares, e dólares do campo são bem-vindos", enfatizou Pino.
T.Sanchez--AT