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'Hope', a superprodução sul-coreana que conquistou Cannes
Ao longo de 2 horas e 40 minutos de travellings vertiginosos e perseguições, o filme leva o espectador a uma pequena cidade fictícia próxima da zona desmilitarizada entre as duas Coreias, onde uma criatura misteriosa espalha o caos.
"Hope" combina gêneros (western, comédia, terror e ficção científica) e se permite, inclusive, o luxo de deixar irreconhecíveis as duas estrelas de Hollywood que estão no elenco (Alicia Vikander e Michael Fassbender), com o protagonismo reservado para os sul-coreanos Hwang Jung-min e Jung Ho-yeon.
Sob uma chuva de tiros e fluidos extraterrestres, "Hope" retrata autoridades locais completamente sobrecarregadas, em uma cidade de aparência pós-apocalíptica.
Ao escrever o roteiro, o diretor Na Hong Jin confessou à AFP que tinha em mente "as guerras que conhecemos atualmente", embora o filme se pareça muito mais com um espetáculo frenético do que com um manifesto político.
"É o filme mais caro da história do cinema coreano", acrescentou o cineasta, que chamou a atenção em 2010 com "The Yellow Sea" e seis anos depois com "O Lamento".
"Exigiu um orçamento muito grande por causa dos efeitos visuais, do design e dos atores", destacou.
O orçamento, de quase 35 milhões de dólares (177 milhões de reais), reflete o bom momento da indústria cinematográfica sul-coreana, que deu origem a "Parasita", Palma de Ouro de 2019, e à série de TV "Round 6" na Netflix.
Outro sinal de prestígio da produção audiovisual da Coreia do Sul é a presença do cineasta sul-coreano Park Chan-wook como presidente do júri do Festival de Cannes este ano.
Na semana passada, Park Chan-wook celebrou o fato de seu país ter virado "um polo central do cinema mundial".
"Isso me faz pensar em muitos dos meus predecessores, que eram fantásticos, mas não tiveram a oportunidade de reconhecimento mundial", afirmou.
O.Brown--AT