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Arábia Saudita acusa houthis de ataque contra Meca
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou nesta quarta-feira (16) ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã que negou o ataque.
Depois de anos de calma, o Iêmen foi arrastado em julho para o conflito regional, desencadeado no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os houthis, que enfrentam o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita, tomaram na semana passada o controle da costa iemenita próxima ao Mar Vermelho, reforçando seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.
A defesa aérea saudita destruiu na terça-feira "um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ingressasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada" do islã.
"A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha", advertiu a coalizão liderada pela Arábia Saudita que respalda o governo iemenita.
A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) condenou "os ataques atrozes" que "profanam a santidade dos lugares sagrados e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos de todo o mundo".
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou "nos termos mais enérgicos possíveis o covarde e abominável" ataque contra Meca.
Os acontecimentos mais recentes voltaram a provocar uma disparada dos preços do petróleo, cenário que afeta a economia mundial. O Brent, referência internacional do petróleo bruto, era negociado nesta quarta-feira a 108,5 dólares por barril nas primeiras operações na Ásia, em leve queda na comparação com a véspera, mas ainda quase 80% acima do nível anterior ao início da guerra em fevereiro.
Os houthis, que intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita no início de setembro, negaram ter atacado a cidade sagrada. "As acusações sobre o suposto ataque contra Meca são uma mentira batida, já utilizada anteriormente, que já não engana ninguém", escreveu na rede social X um dos líderes do grupo, Hazm al-Assad.
As autoridades sauditas emitiram na manhã de terça-feira um alerta aéreo para Meca, o primeiro do tipo para o destino religioso que recebe milhões de peregrinos todos os anos.
A embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita recomendou nesta quarta-feira aos cidadãos americanos que reconsiderem qualquer viagem ao país e evitem uma aproximação da fronteira com o Iêmen.
- "Liberdade e segurança" para a navegação marítima -
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, pediram na terça-feira, no Cairo, garantias à "liberdade e segurança da navegação marítima" no Estreito de Bab el-Mandeb.
A passagem, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, se tornou crucial para a Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
O fechamento da via teria consequências "catastróficas", admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Os houthis, no entanto, afirmam que não existe nenhuma ameaça à navegação no estreito, exceto para os navios sauditas.
Enquanto aumenta a pressão sobre a Arábia Saudita, ameaçada nos dois estreitos e alvo de ataques contra suas infraestruturas petrolíferas, os houthis anunciaram nesta quarta-feira que derrubaram um avião de combate saudita e acusaram o país de ter executado 450 ataques aéreos contra o país vizinho nesta semana.
A Arábia Saudita também sofreu a interrupção de seu oleoduto Leste-Oeste, que permite evitar o Estreito de Ormuz, após ataques de drones procedentes do Iraque, segundo as autoridades.
Pelo menos 100.000 pessoas foram deslocadas no Iêmen desde que os combates foram retomados no início de setembro entre os houthis e as forças pró-governo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
burs/anb/arm/mas/pc/dbh/fp
W.Moreno--AT