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Estreito de Taiwan, importante rota marítima e epicentro de tensões
A China iniciou, nesta terça-feira (1º), seus maiores exercícios militares ao redor de Taiwan em meses como uma "advertência" às forças supostamente separatistas da ilha.
A AFP resume a situação no estreito de Taiwan, uma via marítima estratégica e área de tensão militar crescente.
- Onde fica o estreito de Taiwan? -
O estreito de Taiwan separa a província oriental chinesa de Fujian e o arquipélago de Taiwan, onde vivem cerca de 23 milhões de pessoas.
Em sua parte mais estreita, tem 130 km de extensão, embora algumas pequenas ilhas taiwanesas fiquem perto da costa chinesa.
Depois que os comunistas de Mao Tsé-Tung tomaram o poder, em 1949, proclamando a República Popular da China, o governo nacionalista chinês se refugiou nesta antiga colônia japonesa, na época denominada Ilha de Formosa.
Desde então, Pequim diz que Taiwan faz parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir seu controle.
- Por que é importante? -
Vinte por cento do tráfego marítimo mundial passa pelo estreito de Taiwan. Segundo o instituto americano Center for Strategic and International Studies, em 2022 passaram por ali mercadorias avaliadas em 2,45 trilhões dólares (cerca de R$ 23,4 trilhões, segundo cotação da época).
Além disso, Taiwan tem um papel primordial na produção de semicondutores, cruciais para o desenvolvimento da inteligência artificial, entre outros usos. A ilha fornece nada menos que 90% dos suprimentos mundiais neste setor.
Por isso, em caso de bloqueio, "os mercados afundariam, o comércio encolheria, as cadeias de abastecimento seriam bloqueadas e a economia mundial enlouqueceria", informou, no ano passado, Robert A. Manning, do instituto Stimson Center, em Washington.
O prejuízo para as empresas que usam chips fabricados em Taiwan poderia chegar a 1,6 trilhão de dólares ao ano (aproximadamente R$ 9 trilhões, na cotação atual), segundo estudo do Rhodium Group.
Uma eventual invasão também poderia resultar em um conflito mais abrangente, que poderia envolver os Estados Unidos, que não reconhecem diplomaticamente Taiwan, mas são seu principal fornecedor de armas.
- O que sabemos sobre os exercícios militares atuais? -
Segundo o exército chinês, os exercícios militares da manhã desta terça-feira são uma "firme advertência e dissuasão enérgica" aos supostos separatistas de Taiwan.
"Estes exercícios se concentram em patrulhas mar-ar de combate e prontidão, na tomada conjunta de superioridade abrangente", assim como no "ataque a alvos marítimos e terrestres", segundo um porta-voz do comando leste do exército chinês.
Também praticam um "bloqueio de áreas-chave e rotas marítimas para testar as capacidades operacionais conjuntas das tropas" na eventualidade de uma guerra.
Em resposta aos exercícios chineses, o governo de Taiwan disse ter mobilizado seus próprios aviões e navios de guerra e ativado sistemas de mísseis.
- Quais precedentes existem? -
A China tem aumentado a pressão sobre Taiwan nos últimos anos e realizou quatro exercícios militares em larga escala desde 2022.
Em outubro de 2024, o exército chinês enviou caças, bombardeiros e navios de guerra para o norte, o sul e o leste de Taiwan, e simulou um ataque. Dias antes, o presidente taiwanês, Lai Ching-te, havia prometido em um discurso "resistir à anexação" chinesa.
Pequim também organizou manobras em maio, após a posse de Lai, e cercou Taiwan em abril de 2023, após um encontro entre a então presidente, Tsai Ing-wen, e o ex-presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Kevin McCarthy.
O especialista militar Su Tzu-yun, que trabalha para o INDSR, um grupo de reflexão vinculado ao governo de Taipé, assinala que os exercícios iniciados nesta terça-feira parecem ser de magnitude similar aos realizados em maio e outubro de 2024.
Em fevereiro, Taiwan também afirmou que a China tinha realizado manobras de combate com aviões e navios de guerra em "exercícios com munição real" em uma área situada a cerca de 74 km da costa sul da ilha. Pequim denunciou o que chamou de um "exagero" e qualificou as manobras de "treinamento de rotina".
O estreito já sofreu várias crises importantes. A mais recente remonta a 1995-1996, quando a China realizou testes com mísseis ao redor de Taiwan, após uma visita do então presidente taiwanês, Lee Teng-hui, aos Estados Unidos.
D.Johnson--AT