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Anistia Internacional acusa Irã de 'crimes contra a humanidade' durante protestos de 2022
As autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade na repressão aos protestos de 2022, que deixaram centenas de mortos, afirmou a Anistia Internacional (AI) nesta quarta-feira (16).
O relatório, publicado nesta quarta-feira pela organização, se concentra no movimento de protesto que começou em setembro de 2022 sob o lema "Mulher. Vida. Liberdade".
O estopim foi a morte sob custódia da jovem curda iraniana Mahsa Amini, que havia sido detida por supostamente infringir as rígidas normas de vestimenta que o Irã impõe às mulheres.
A repressão das manifestações por parte das autoridades incluiu "crimes contra a humanidade", entre eles assassinato, tortura, estupro e desaparecimento forçado, afirma a AI em seu relatório.
O documento cita 87 autoridades, tanto nacionais como regionais, como supostos responsáveis na cadeia de comando da repressão aos protestos.
A organização pede que todos sejam levados à justiça internacional, mas seis deles morreram nos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, na guerra iniciada em 28 de fevereiro deste ano.
Os protestos de 2022 haviam sido as manifestações mais importantes registradas no Irã nos últimos anos, até os protestos do início de 2026, desencadeados pela aumento do custo de vida e que tiveram seu ápice nas noites de 8 e 9 de janeiro.
Em seu relatório, a Anistia alerta que a ação empreendida contra os protestos de 2026 foi "ainda mais letal e de uma magnitude ainda mais estarrecedora" do que a de 2022.
"As amplas evidências reunidas e analisadas em nosso relatório não deixam margem para dúvidas: as autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade para esmagar o levante de 2022", declarou Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional.
A organização pediu a criação, por parte da Assembleia Geral da ONU, de um "mecanismo internacional de justiça penal para processar os principais responsáveis".
A Anistia afirma que identificou 377 manifestantes e testemunhas presenciais, incluindo 56 menores, que morreram durante os protestos de 2022.
Ao menos 326 foram mortas pelas forças de segurança, incluindo Minoo Majidi, uma mulher de 62 anos que foi atingida por esferas de metal durante uma marcha em Kermanshah, no oeste do país, em setembro de 2022.
"Eles a mataram na rua. Ela havia saído às ruas para pedir mudança, para gritar 'liberdade'", contou à AFP sua filha, Mahsa Piraei, que vive fora do Irã.
"O mundo pensa que os protestos foram pela liberdade das mulheres. Foram, mas também foram pela liberdade das pessoas e pelo direito à vida", acrescentou.
A.O.Scott--AT