Arizona Tribune - Líder opositora retorna para Venezuela após quase um ano no exílio

Líder opositora retorna para Venezuela após quase um ano no exílio
Líder opositora retorna para Venezuela após quase um ano no exílio / foto: Federico PARRA - AFP

Líder opositora retorna para Venezuela após quase um ano no exílio

A líder opositora venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, voltou para a Venezuela neste domingo, após passar quase um ano no exílio, em um desafio ao governo interino de Delcy Rodríguez, apoiado por Washington.

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María Corina, 59, havia feito pelo menos sete tentativas de retornar à Venezuela, segundo fontes de seu partido. "Estou aqui. Com vocês", publicou neste domingo (25) no X.

A líder opositora retorna para a capital, Caracas, por estrada, após uma aparição-surpresa em Barquisimeto, a cerca de 400 km. Milhares de apoiadores a acompanham em carros e motos, em uma caravana que avança lentamente, em meio a aclamações.

María Corina deixou o país em dezembro para receber o Prêmio Nobel, depois de passar quase um ano na clandestinidade e em meio à onda de prisões desencadeada pela controversa reeleição de Nicolás Maduro em 2004.

María Corina retorna à Venezuela nove meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, e depois que Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não estar ciente de sua chegada, mas expressou o desejo de que ela esteja em segurança. "Não sei nada sobre isso, mas acho que ela é uma mulher muito agradável. Ela me deu seu Prêmio Nobel, então como posso dizer outra coisa? E espero que esteja em segurança. Estamos indo muito bem na Venezuela", declarou Trump.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o retorno da líder opositora é um "resultado direto" do processo de "reconciliação" conduzido em uma mesa de diálogo com o apoio de Washington.

Uma parte da oposição venezuelana e o governo interino de Rodríguez, sob pressão de Washington, iniciaram negociações em agosto com vistas a uma transição democrática. María Corina não foi convidada para essa mesa, mas afirmou que não a obstruiria.

- 'Aqui está o seu povo' -

María Corina chegou hoje à igreja de Santa Rosa, em Barquisimeto, para agradecer por seu retorno ao país, informaram seus porta-vozes.

"Aqui está o seu povo, María", "Nós te amamos", "Viva María Corina", gritaram para ela ao entrar no templo, segundo imagens divulgadas nas redes sociais por sua equipe, nas quais ela aparece vestindo camiseta branca e jeans, cercada por apoiadores, alguns deles chorando de emoção.

Depois, ela deixou a igreja em uma caminhonete branca. Seus apoiadores se aproximavam correndo para apertar sua mão e agitando bandeiras da Venezuela. "María, se você voltou, minha filha também tem que voltar", gritou uma mulher que passava de moto.

No estado de Carabobo, a líder opositora foi recebida por milhares de apoiadores. "Queremos eleições, chega de diálogo, eleições já!", gritava a multidão, enquanto ela acenava de um veículo 4x4.

Edmundo González Urrutia, candidato de María Corina nas eleições presidenciais de 2024 e que reivindica a vitória no pleito, comemorou o retorno da opositora. "Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos", publicou no X.

"Muito em breve estarei com vocês e com ela para que nosso país avance verdadeiramente rumo à liberdade. Vocês sabem, isto vai até o fim", acrescentou.

- 'Retorno em liberdade' -

Em sua mensagem de domingo, o secretário Marco Rubio defendeu que "as liberdades de todos os setores da política venezuelana continuem sendo respeitadas". Ele também pediu a todos os atores políticos que apoiem a mesa de diálogo.

Ela representa "a melhor oportunidade que a Venezuela teve em trinta anos para alcançar pacificamente não apenas eleições livres e justas, mas também uma democracia duradoura", afirmou.

Dinorah Figuera, chefe da delegação opositora na mesa de negociações, reagiu com uma saudação ao retorno da líder opositora. "Celebramos o retorno em liberdade de María Corina Machado", escreveu no X.

O terceiro ciclo de negociações terminou na quarta-feira com um acordo para revisar leis que restabeleçam garantias aos partidos políticos.

Milhares de venezuelanos marcharam na última quinta-feira em várias cidades do país para exigir o retorno de María Corina. O partido da líder opositora, Vente Venezuela, pede a realização de eleições presidenciais em 2027. Delcy Rodríguez afirmou que serão realizadas eleições na Venezuela, mas não especificou uma data.

Muitos dos líderes do Vente Venezuela voltaram recentemente do exílio, após partirem em meio a uma onda de repressão pós-eleitoral.

W.Morales--AT