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Mobilizados, apoiadores de Lula cruzam os dedos no Rio de Janeiro, reduto do bolsonarismo
"Meu voto é secreto", clamam bandeiras com uma foto gigante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em prédios do bairro de Laranjeiras, reduto da esquerda no Rio de Janeiro, que busca acreditar na virada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno deste domingo (25).
O bolsonarismo forma maioria na Cidade Maravilhosa, conhecida por suas praias paradisíacas mas também pela insegurança e pelo controle de facções criminosas nas favelas.
O senador, nascido no estado do Rio, venceu no primeiro turno na cidade, assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), nas eleições de 2018 e 2022.
Mas em Laranjeiras, um bairro de classe média na zona sul da metrópole, seus moradores vêm há três semanas travando a batalha nas ruas, como ocorreu em outros redutos da esquerda no país quando o mandatário perdeu o primeiro turno.
"A grande esperança é que a gente consiga reeleger o presidente Lula", disse à AFP Michely Ribeiro, coordenadora de uma ONG, que votou acompanhada de suas filhas de 10 e 11 anos.
Para a mulher de 39 anos, o avanço da extrema direita é uma "ameaça aos direitos humanos".
Na Praça São Salvador, tradicional ponto de encontro da esquerda, muitos fazem contas sobre a possibilidade de uma virada.
"Está uma incógnita, essa eleição talvez tenha sido a mais acirrada dos últimos anos", analisa a professora universitária Cristina Vermelho, de 63 anos.
Ao redor da praça, onde costumam acontecer rodas de samba nos fins de semana, alguns motoristas buzinam enquanto os moradores trocam saudações aos gritos de "Bora, Lula!".
- "Vai dar certo" -
Daniel Gomes, um arquiteto de 45 anos, acredita que se trata de um momento crucial para o Brasil.
"Estou preocupado (...) Eu acho que a democracia está em jogo com o resultado da eleição (...) Até pelo histórico do pai do candidato, de já ter tentado o golpe do Estado. Então, acho que não é uma loucura (...) que tem chances de acontecer de novo", afirmou.
"Tenho medo, mas acho que vai dar certo", disse à AFP.
Jair Bolsonaro cumpre, em prisão domiciliar, uma condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado contra Lula, após perder as eleições de 2022.
Seu filho, que denuncia uma perseguição política contra o pai, se apresenta como "mais moderado" e promete acabar com a insegurança e com a dificuldade de chegar ao fim do mês.
- "Direita de verdade" -
Enquanto a esquerda saiu às ruas em massa para tentar convencer os eleitores indecisos a votarem em Lula, a direita se reuniu, sobretudo, em atos ao lado de Flávio Bolsonaro.
No sábado, milhares de pessoas lotaram a orla da Barra da Tijuca, bairro rico onde o candidato visitou a casa de seu pai antes de se mudar para Brasília.
"Eu sou eleitora de Jair Bolsonaro e acredito na transformação do país (...) Na educação, na saúde, na segurança, o carioca não anda mais em paz", disse Ilma Gomes de Souza, uma professora de 53 anos.
Em Belo Horizonte, o bolsonarista Martin Silva Peixoto rejeita qualquer motivo para sentir medo.
"Durante anos aqui todos (os políticos) eram iguais. E hoje a gente tem uma direita de verdade", afirmou à AFP o advogado de 43 anos.
"Eu acho que é uma solução e não um problema, como muita gente vê aí", completou após votar na cidade onde Flávio Bolsonaro também ganhou no primeiro turno.
E.Hall--AT