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Netanyahu rejeita plano para Gaza e se distancia novamente de Trump
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o plano para Gaza apoiado pelo presidente dos Estados Unidos e aceito pelo Hamas, em um novo distanciamento de seu aliado Donald Trump durante uma acirrada corrida eleitoral em Israel.
Pressionado por seus aliados de extrema direita, o premiê vinha há mais de uma semana intensificando as críticas ao plano anunciado no fim de julho por Trump, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada israelense do território palestino.
"Israel rejeita o documento de 15 pontos. As FDI (Forças de Defesa de Israel) não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas esteja efetivamente desarmado e continuarão neutralizando as ameaças contra nossas forças e nossos cidadãos", declarou Netanyahu durante uma reunião de gabinete.
O documento é, teoricamente, etapa final de um cessar-fogo impulsionado pelos Estados Unidos e anunciado em outubro, que reduziu, mas não encerrou as operações israelenses em Gaza.
O Hamas, no poder na Faixa de Gaza desde 2007, aceitou o acordo pelo qual deveria entregar suas armas a uma recém-criada autoridade palestina encarregada de governar o território durante um período de transição.
Um membro do gabinete político do movimento, Basem Naim, disse à AFP que os Estados Unidos deveriam pressionar "Netanyahu e seu governo para que sigam o roteiro e não obstruam o processo por razões políticas internas e eleitorais".
- "Sabemos como nos manter firmes" -
Em seu discurso, Netanyahu se referiu a Trump como seu "maior amigo na Casa Branca", mas não hesitou em se distanciar de sua estratégia, como já havia feito no contexto da guerra contra o Irã.
O premiê afirmou que Israel estava conversando com os Estados Unidos sobre suas objeções. "Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes nestas questões", disse.
Autoridade israelense a mais tempo no poder, Netanyahu busca a reeleição nas eleições legislativas de 27 de outubro, as primeiras desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
As pesquisas de intenção de voto o colocam empatado ou até atrás em relação aos seus adversários. Também indicam que o plano para Gaza é muito impopular entre sua base eleitoral conservadora e a de seus aliados de extrema direita.
Há pouco tempo, o primeiro-ministro israelense fazia campanha destacando a solidez de sua relação com Trump, que desde seu primeiro mandato tomou medidas sem precedentes em apoio a Israel, como transferir a embaixada para Jerusalém.
Em fevereiro, o presidente americano se juntou a Netanyahu na campanha de bombardeios contra o Irã. Mas, em abril, surgiram atritos quando o republicano tentou negociar um cessar-fogo com Teerã, ao qual o dirigente israelense era contra.
Na semana passada, quando Israel e Líbano mantinham negociações mediadas pelos Estados Unidos, Netanyahu ordenou novos ataques contra o país vizinho em resposta a uma suposta violação do cessar-fogo por parte do movimento Hezbollah, apoiado pelo Irã.
- "Desarmamento real" -
O último embate entre ambos é o acordo para o desarmamento do Hamas, que Trump havia qualificado como "um passo monumental rumo a paz e segurança duradouras".
O plano inicial estabelecia que Israel começaria a retirar suas forças em paralelo ao desarmamento, ideia rejeitada de forma categórica pelos israelenses.
Após se reunir com Netanyahu na semana passada, o Conselho de Paz, organismo idealizado por Trump para implementar o acordo, recuou e afirmou que Israel só teria de se retirar depois de um desarmamento "completo".
Contudo, Netanyahu insistiu que o Hamas deve entregar todas as suas armas. "Estamos falando de um desarmamento real, não de um desarmamento fictício", declarou.
M.King--AT