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Irã anuncia acordo com Omã sobre Ormuz mas diz que reabertura depende dos Estados Unidos
O Irã informou que chegou a um acordo com o Sultanato de Omã sobre uma nova rota de trânsito para navios no Estreito de Ormuz, que está no centro das tensões com os Estados Unidos.
Porém, a reabertura da rota marítima crucial para o trânsito de petróleo e gás, bloqueada por Teerã, dependerá das ações de Washington, que por sua vez impôs um bloqueio aos portos iranianos, afirmaram fontes da República Islâmica.
"As coordenadas geográficas da rota planejada foram acordadas por ambas as partes", disse o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, à agência estatal de notícias Irna.
Ele acrescentou que Irã e Omã trabalham em uma "declaração conjunta", desde que "terceiros não obstruam o processo".
Desde a retomada das hostilidades com as forças americanas no início de julho, Teerã voltou a bloquear a via estratégica pela qual, antes da guerra, transitavam 20% do comércio mundial de petróleo e gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em várias ocasiões que Teerã deseja chegar a um acordo para reabrir a rota à navegação, mas o Irã desmentiu e insistiu que, ao contrário, estabelecerá um pacto com seu vizinho do outro lado da passagem marítima, Omã.
O vice-presidente americano, JD Vance, reconheceu em uma entrevista ao canal Fox News que as negociações com o Irã são desiguais e que o governo Trump registrou avanços e retrocessos em seus esforços para chegar a um acordo.
"Vai ser complicado e vai levar tempo para conseguir", disse. Vance atribuiu as dificuldades às divisões dentro do governo iraniano, no qual alguns funcionários desejavam o fim do conflito, enquanto alguns "radicais loucos" queriam a continuidade.
"Em primeiro lugar, os iranianos são pessoas extremamente difíceis. Em segundo lugar, o sistema deles é fragmentado", disse Vance.
- Ataques contra navios -
Segundo Baqaei, as negociações com Mascate avançam, mas mesmo se um acordo for alcançado, isto não significaria que a passagem estaria livre de riscos, já que "os fatores que tornam o Estreito de Ormuz inseguro continuam existindo por parte dos Estados Unidos".
Ele mencionou o bloqueio naval imposto por Washington, em represália à paralisação do estreito por parte de Teerã, e "outras ações agressivas e ameaçadoras contra o Irã e seus interesses".
Trump afirmou na terça-feira que o estreito seria reaberto "muito em breve" ou, caso contrário, o Irã receberia um ataque "muito forte". Também disse que um acordo poderia ser alcançado antes de quinta-feira, mas Teerã negou que qualquer negociação com Washington.
O Irã não quer voltar à situação anterior à guerra e, no momento, autoriza apenas uma rota ao longo de suas costas. O país cogita cobrar tarifas de serviço, uma possibilidade rejeitada pelos Estados Unidos e por outros países e é contrária ao direito marítimo internacional.
A implementação de uma rota por Omã em junho irritou o país, o que provocou uma série de ataques a embarcações.
A agência marítima britânica UKMTO informou nesta quinta-feira que a tripulação de um petroleiro relatou ter ouvido explosões quando transitava pelo Estreito de Ormuz.
Por sua vez, os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram na quarta-feira que atacaram dois navios-tanque de petróleo sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, como parte do bloqueio que haviam anunciado contra a frota do reino.
Em outra frente do conflito, o Exército israelense anunciou que dois soldados morreram em combate no sul do Líbano, onde enfrenta o movimento pró-Irã Hezbollah.
E.Flores--AT