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Lula oficializa candidatura à reeleição
Aos 80 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (2) que está "inteiraço" ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro, sobre as quais paira a sombra de Donald Trump.
De volta ao poder em 2023 após dois mandatos, Lula foi oficializado como candidato durante uma convenção do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, que teve a presença de quase três mil pessoas.
"Eu quero brigar com a velhice (...) não quero andar arrastando as pernas", disse Lula durante seu discurso em um centro de convenções diante de seus apoiadores, que gritaram o lema "Lula guerreiro do povo brasileiro", ergueram cartazes com frases como "O Brasil não se entrega" e estenderam uma grande bandeira nacional.
Candidato à presidência pela sétima vez, o ex-metalúrgico e líder sindical enfrentará o candidato da direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos.
"Estou aqui hoje porque as políticas públicas do Lula mudaram a minha vida e a da minha família, hoje temos casa própria depois de oito gerações despojadas", declarou à AFP Cristiane Rosa Julho, uma assistente social de 51 anos, vestida com a cor vermelha do PT.
O senador Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado após perder as eleições para Lula em 2022.
A campanha começa em um momento de tensão com o governo do presidente americano Trump, aliado da família Bolsonaro e que apoiou diversos candidatos vitoriosos na América Latina.
Lula não mencionou seu par americano no discurso.
Os Estados Unidos impuseram em julho duas rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros, após acusarem o país de supostas práticas comerciais desleais.
Incentivado por outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o governo Trump já havia aplicado, em 2025, outro tarifaço contra o Brasil - posteriormente suspenso em grande parte - como retaliação ao julgamento do ex-presidente.
Diante da nova pressão tarifária, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro é um "traidor da pátria", por supostamente ter incentivado os Estados Unidos a atingir a economia brasileira, algo que o senador nega.
"A narrativa sobre a soberania cai como uma luva para o Lula, em um momento no qual ele estava com uma decadência na sua popularidade e consegue identificar um inimigo lá fora para responsabilizá-lo por algumas das mazelas que a gente vive", afirmou à AFP Leonardo Paz, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
- Crime organizado e corrupção -
"Eu não vou ter a chance de tentar o penta porque eu resolvi, depois que a gente entregar o Brasil perfeitamente para o povo brasileiro, nós vamos sair de férias para namorar mais uns 20 anos", disse ao lado da esposa, Janja, 59 anos, que vestia uma camisa com uma foto do marido quando era criança.
Lula lidera atualmente as pesquisas. Em um eventual segundo turno, ele aparece com 48% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, segundo o instituto Datafolha.
Mesmo desgastado por uma série de crises políticas, o candidato da direita mantém força na disputa, em uma campanha polarizada.
Lula pode destacar um crescimento econômico sólido e níveis recordes de emprego, embora o custo de vida preocupe os brasileiros e o déficit fiscal esteja aumentando.
O presidente também enfrenta dificuldades no debate sobre segurança pública, uma das principais preocupações do eleitorado em um país onde o crime organizado controla comunidades habitadas por milhões de pessoas.
A corrupção, outro tema prioritário para a opinião pública, envolve duas investigações judiciais que representam constrangimentos para cada um dos candidatos.
A primeira investiga a suspeita de que Flávio Bolsonaro pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por participação em um esquema bilionário de fraude envolvendo o Banco Master, para financiar um filme sobre seu pai.
A segunda, aberta nesta semana, envolve um dos filhos de Lula, Luiz Cláudio Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", suspeito de corrupção e tráfico de influência em supostas articulações junto ao Ministério da Saúde.
P.A.Mendoza--AT