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Irã diz que não há negociações com EUA sobre a guerra
O Irã negou nesta segunda-feira (27) que mantenha negociações com os Estados Unidos sobre a guerra no Oriente Médio, apesar de uma trégua nos combates entre os dois países.
Apesar do cessar-fogo assinado em abril e do protocolo de acordo de junho para negociar uma paz duradoura, os dois países retomaram as hostilidades no início de julho, antes da interrupção dos ataques na madrugada de sábado.
O governo americano anunciou que interrompeu os disparos para deixar a porta aberta ao diálogo.
"O que o presidente (Donald Trump) faz neste momento (...) é abrir espaço para negociações. As negociações continuam", declarou no domingo o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz.
A República Islâmica, no entanto, nega qualquer conversa.
- "Nenhuma negociação" -
"Os mediadores podem nos transmitir mensagens da parte americana sobre os acontecimentos mais recentes na região. Mas, no momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, em uma entrevista coletiva.
"As afirmações de que o Irã solicitou negociações são invenções que a outra parte divulga de vez em quando", acrescentou.
Baqaei criticou os Estados Unidos. Ele considera que o comportamento do país nos últimos anos "se assemelhou ao de um grupo mafioso que não respeita nenhuma norma ou lei".
"Enquanto este comportamento persistir por parte dos Estados Unidos, não podemos alimentar esperanças de que surja um processo razoável", disse.
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com uma campanha de bombardeios israelenses e americanos contra o Irã, um conflito que provocou milhares de mortes na região.
Também abalou a economia mundial ao bloquear o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do comércio mundial de petróleo e gás.
A República Islâmica, que bloqueia a via marítima estratégica e pretende cobrar pedágio pela passagem de navios, anunciou que manteve negociações na sexta-feira e no sábado com Omã, cujas costas também margeiam o estreito, sobre a futura gestão da área. Em represália, os Estados Unidos retomaram o bloqueio aos portos iranianos.
O Irã afirmou nesta segunda-feira que o governo dos Estados Unidos não participou das recentes negociações com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz.
"As discussões não têm nada a ver com os Estados Unidos. Trata-se de um assunto bilateral entre Irã e Omã e as negociações continuam", declarou Baqaei. A via marítima "permanece fechada", acrescentou.
A Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico do regime, forçou o retorno de seis navios que tentavam passar por rotas não autorizadas por Teerã, informou a televisão estatal.
Como consequência da distensão, os preços do petróleo recuavam nesta segunda-feira: às 11h45 GMT (8h45 de Brasília), o preço do barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, era negociado a 89,18 dólares, enquanto o do WTI americano era vendido a 83,15 dólares.
As monarquias petrolíferas do Golfo, frequentemente atacadas pelo Irã em represália aos bombardeios americanos, não relataram o lançamento de drones iranianos contra seus territórios na noite de domingo, nem na manhã desta segunda-feira.
Na tarde desta segunda-feira, no entanto, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita afirmou que interceptou e destruiu vários drones lançados a partir do território do Iraque contra instalações petrolíferas.
rkh-mz/hme/cgo/erl/meb/fp-jc
N.Walker--AT