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Guterres pede apoio para a Síria na primeira visita de um chefe da ONU desde 2009
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu, neste sábado (25), o fim das violações cometidas por Israel na Síria e instou a comunidade internacional a apoiar a transição no país, após mais de 13 anos de guerra civil.
Guterres é o primeiro chefe da ONU a visitar a Síria depois da derrubada, no fim de 2024, do ex-presidente Bashar Al Assad por uma coalizão de rebeldes islamistas.
Seu antecessor, Ban Ki-moon, tinha visitado o país em 2009, dois anos antes do começo da guerra civil, na qual morreram mais de meio milhão de pessoas.
"Ressaltamos a importância de respeitar plenamente a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial da Síria", declarou Guterres em uma coletiva de imprensa.
"O que está acontecendo na região ao redor das Colinas de Golã é totalmente inaceitável", afirmou, ao lembrar que esta localidade, ocupada por Israel desde 1974, é "território sírio".
Ao seu lado, o ministro sírio das Relações Exteriores, Assad al Shaibani, exigiu uma "retirada imediata e incondicional" do setor, onde as forças israelenses avançaram após a queda de Al Assad.
Israel enviou, então, tropas à zona-tampão patrulhada pela ONU nas Colinas de Golã e realizou incursões no território sírio. As autoridades israelenses dizem que querem manter forças em uma "zona de segurança" no sul da Síria e uma área desmilitarizada mais extensa.
Apesar destas tensões, Israel e Síria mantiveram várias rodadas de negociações diretas e acordaram estabelecer um mecanismo de intercâmbio de inteligência.
Gueterres insistiu que a ONU apoia a Síria em um momento "crucial".
"Estamos prontos para apoiar sua transição política, incluindo seus esforços para garantir a justiça de transição, redigir uma Constituição permanente e realizar eleições livres e justas", assegurou.
Segundo a mídia estatal, Guterres reuniu-se com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, após visitar a Cidade Velha de Damasco.
Desde que al-Sharaa assumiu o poder, em dezembro de 2024, a comunidade internacional tem instado as novas autoridades islamistas a estabelecer um sistema de governança que inclua todos os segmentos da sociedade síria, multiétnica e multirreligiosa.
O chefe da ONU também visitou uma força de manutenção da paz da ONU, estacionada nas Colinas de Golã (sul), parte das quais foram anexadas unilateralmente por Israel em 1981.
A guerra na Síria destruiu a infraestrutura do país e obrigou milhões de pessoas a fugir.
Desde a deposição de Assad, cerca de 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas internamente e 1,7 milhão de refugiados no exterior retornaram, segundo a ONU.
Segue havendo cerca de 5,5 milhões de deslocados internos e outros seis milhões no exterior.
Muitos sírios vivem na pobreza, e se estima que 15,6 milhões de pessoas precisem de ajuda humanitária para sobreviver.
A.Moore--AT