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Trump ameaça destruir pontes e centrais elétricas no Irã por cada ataque em Ormuz
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou, nesta quarta-feira (22), destruir pontes e centrais elétricas no Irã por cada ataque contra embarcações no Estreito de Ormuz e advertiu que a guerra que custou aos Estados Unidos mais de 37 bilhões de dólares (cerca de 187 bilhões de reais) "não terminou".
A retomada das hostilidades gera inquietações sobre o fornecimento de petróleo e gás pelo bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e a ameaça de um cerco aos portos da Arábia Saudita pelos rebeldes do Iêmen, aliados do Irã.
O bloqueio fez os preços do petróleo dispararem e aumenta a pressão sobre Trump para buscar uma saída para um conflito que já afeta os consumidores americanos antes de eleições de meio de mandato, muito acirradas.
"Cada vez que a República Islâmica do Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, os Estados Unidos vão bombardear e destruir UMA PONTE OU UMA CENTRAL ELÉTRICA", escreveu o presidente americano nesta quarta-feira em sua rede, Truth Social.
No entanto, o principal diplomata americano, Marco Rubio, assegurou que Washington segue disposto a buscar um acordo negociado com Teerã.
"Seguimos abertos a resolvê-lo de forma negociada. Mas por enquanto, não parecem estar interessados nisso", declarou Rubio em uma reunião de ministros do sudeste asiático em Manila.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, os intercâmbios diplomáticos com Washington através de mediadores continuam.
Um míssil americano impactou, nesta quarta-feira, a ilha de Larak, no estreito, reportou a agência de notícias iraniana Tasnim, ainda sem dar um balanço dos danos.
- Guerra impopular -
À medida que a guera se aproxima dos cinco meses e se avizinham as eleições de novembro nos Estados Unidos, Trump enfrenta uma intensa pressão política para pôr fim a este conflito impopular.
Críticos destacam o alto custo da guerra, que o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, disse ter disparado para 37,5 bilhões de dólares (R$ 189,8 bilhões), ao defender perante o Congresso um pedido de outros 67 bilhões (aproximadamente 340 bilhões de reais).
Mas Trump, por enquanto, tem resistido à pressão e assegurou na terça-feira que o conflito "não terminou em absoluto".
Pela 11ª noite consecutiva, o exército americano lançou uma ofensiva contra alvos militares da república islâmica a fim de "seguir enfraquecendo" sua capacidade "para ameaçar o tráfego marítimo comercial no Estreito de Ormuz".
Trump assegurou que o próximo alvo dos Estados Unidos poderia ser um complexo subterrâneo em um local denominado Kuhe Kolang-e Gaz La, perto de Natanz, onde as agências de inteligência ocidentais suspeitam que o Irã esteja construindo uma instalação não declarada de enriquecimento de urânio.
O comando militar iraniano (Khatam al Anbiya) advertiu que consideraria o ataque "uma expansão da guerra", enquanto o porta-voz do ministério das Relações Exteriores afirmou que "a obsessão de Washington com Kuhe Kolang, onde não se realiza nenhuma atividade nuclear, não é mais que um pretexto inventado para a agressão, a destruição e a sabotagem".
- O petróleo volta a subir -
As ameaças ocorrem enquanto Teerã intensifica seus ataques contra alvos em Estados do Golfo aliados de Washington.
No Kuwait, o exército declarou que suas defesas antiaéreas estão interceptando drones procedentes do Irã, enquanto a Jordânia afirmou ter derrubado quatro mísseis iranianos e quatro drones.
Sirenes de alerta também soaram no Bahrein e um correspondente da AFP em Manama ouviu uma explosão.
O Exército iraniano declarou que tinha atacado alvos americanos no Kuwait e no Bahrein, incluindo sistemas de defesa aérea, instalações de radar e prédios administrativos.
A Guarda Revolucionária iraniana também disse ter atacado bases americanas na Jordânia.
Os houthis, por sua vez, avançam em sua ameaça de obstaculizar o tráfego do outro lado da península arábica. Este grupo controla o estreito de Bab el Mandeb, no extremo sul do Iêmen, por onde os navios devem passar para chegar ao Canal de Suez.
Como consequência destas tensões, os preços do petróleo subiram consideravelmente nesta quarta-feira: o barril de Brent, referência internacional, voltou a superar os 95 dólares (481 reais) o barril pela primeira vez em quase seis semanas.
burx-am/lpa/arm/mas/jc/aa/mvv
S.Jackson--AT