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Oposição indiana pede renúncia de Modi após repressão a protesto estudantil
O líder da oposição indiana, Rahul Gandhi, pediu nesta terça-feira (21) a renúncia do primeiro-ministro, Narendra Modi, após a repressão de uma manifestação estudantil convocada pelo Partido Popular das Baratas, que exigia reformas no sistema universitário.
Lançado em maio por um estudante indiano formado nos Estados Unidos, esse partido (CJP, na sigla em inglês) denuncia irregularidades que provocaram a anulação de uma prova à qual se apresentaram mais de dois milhões de candidatos ao curso de medicina.
Esse escândalo, segundo a imprensa local, teria levado vários estudantes ao suicídio.
Milhares de pessoas se reuniram na segunda-feira na capital, Nova Délhi, convocadas pelo movimento de protesto estudantil, que prometeu continuar com sua mobilização até a saída do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e uma reforma dos exames.
Durante a manifestação, uma das mais importantes desde que Modi chegou ao poder em 2014, pelo menos 180 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia, e centenas, segundo os estudantes, depois que a polícia lançou gás lacrimogêneo e desferiu golpes de cassetete.
"Não vamos parar. Pradhan deve ser destituído", declarou Ashutosh Ranka, uma liderança do CJP, em mensagem publicada nesta terça-feira nas redes sociais.
Modi deve renunciar "por ter destruído o futuro da juventude indiana", declarou Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, em mensagem publicada nas redes sociais enquanto, junto com outros parlamentares, seguia a pé em direção à residência do primeiro-ministro em Nova Délhi.
- "Um dia vergonhoso" -
Centenas de manifestantes continuam acampados nesta terça-feira no local da concentração, e muitos exigem uma reforma profunda do sistema educacional e dos exames.
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, incentivou os participantes a não "perderem a esperança". "Eles querem nos desmoralizar", afirmou, em um caminhão. "Não deixem que calem a nossa voz".
A polícia afirmou em um comunicado que ao menos 178 pessoas, entre elas mais de 118 agentes, ficaram feridas na segunda-feira em Nova Délhi durante os confrontos com os manifestantes, que foram descritos como uma multidão "violenta".
Segundo os organizadores, "centenas" de participantes ficaram feridos e está sendo feito um levantamento do número de vítimas.
"É um dia vergonhoso na história da democracia indiana: pessoas, estudantes honestos, que participavam por uma causa legítima, foram brutalmente espancados pela polícia de Délhi", declarou Ranka à AFP.
Vários manifestantes entrevistados pela AFP nesta terça-feira mostraram-se decididos a continuar com o protesto. "Temos ainda menos medo do que antes", declarou Chandra Pratap Sishwi, estudante que quer ser advogado.
Apesar do rápido crescimento econômico na Índia, milhões de habitantes do país mais populoso do mundo têm dificuldades para conseguir um emprego estável e bem remunerado, o que alimenta o descontentamento da juventude.
O ministro de Assuntos Parlamentares, Kiren Rijiju, discursou nesta terça-feira na Câmara Baixa para defender o governo, assegurando que reagiu rapidamente às irregularidades nos exames ao ordenar a prisão de várias pessoas.
Rijiju acrescentou que, durante uma reunião a portas fechadas nesta terça-feira com os aliados da coalizão governista, Modi pediu que fosse estabelecido um "mecanismo infalível" para evitar qualquer nova irregularidade.
Até o momento, o primeiro-ministro não comentou diretamente o movimento de protesto.
B.Torres--AT