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Irã enfrenta guerra total contra os EUA após nova noite de bombardeios
O Irã afirmou, nesta segunda-feira (20), que enfrenta uma "guerra em grande escala" contra os Estados Unidos, que lançaram uma nova onda de bombardeios noturnos contra seu território, incluindo uma cidade onde há uma usina nuclear.
"A realidade é que hoje a República Islâmica do Irã está mergulhada em uma guerra em grande escala", disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acrescentando que é preciso "ser realista e aceitar as consequências naturais dessa resistência", segundo um comunicado da Presidência.
Há uma semana, o alcance dos bombardeios americanos se estende muito além das regiões do sul do Irã, onde tinham permanecido limitados desde a retomada das hostilidades em 7 de julho, atingindo o centro e o noroeste do país, segundo fontes locais.
Pela nona noite consecutiva, Washington lançou uma série de ataques ao Irã às 23h00 GMT (20h em Brasília) de domingo, anunciou no X o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom).
Washington garantiu apontar para instalações militares, mas Teerã acusou o país de realizar ataques em áreas povoadas, em particular em Bushehr, onde fica a única usina nuclear em funcionamento do país.
A usina de Darkhovin, ainda em construção, também foi alvo de ataques, segundo a república islâmica.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que as últimas ofensivas militares contra o Irã foram em resposta às mortes de membros das forças armadas americanas nos últimos dias.
Dois militares americanos morreram na sexta-feira em ataques contra uma base na Jordânia, e outro soldado perdeu a vida no domingo durante a destruição controlada de munições não detonadas de um drone iraniano no norte do Iraque.
Ao todo, 17 militares americanos morreram desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Do lado iraniano, o último balanço oficial, divulgado na sexta-feira, registra 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates no começo de julho.
Um protocolo de acordo firmado entre o Irã e os Estados Unidos em 17 de junho, que supostamente deveria abrir um ciclo de negociações de paz, ruiu com a retomada das hostilidades entre ambos os países, em confronto pelo controle do Estreito de Ormuz.
- Esforços diplomáticos -
Em represália, Teerã voltou a atacar nesta segunda-feira seus vizinhos Kuwait e Bahrein, aliados de Washington, ao mesmo tempo em que afirmou continuar suas conversas com os Estados Unidos através de mediadores.
"O aparato diplomático esteve ativo nos últimos dias", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa em Teerã.
O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, deve viajar nesta segunda-feira ao Paquistão, um dos mediadores junto com o Catar e Omã, informou à AFP uma fonte do ministério.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou no domingo ter destruído aviões militares americanos no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, e também ter lançado "um ataque surpresa" contra instalações militares americanas na região de Al-Tanf, na Síria.
- Navio em chamas -
O Irã advertiu nesta segunda-feira que está disposto a "tomar as medidas necessárias" para garantir sua soberania e evitar que o Estreito de Ormuz seja utilizado para "ameaçar a segurança e os interesses" da república islâmica.
Essa rota estratégica, por onde transitava antes da guerra um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, está novamente bloqueada pelo Irã desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, que voltaram a impor um cerco aos portos iranianos.
Esse bloqueio está impulsionando uma alta nos preços do petróleo, e o barril de Brent do Mar do Norte é cotado em torno de 88,55 dólares (453 reais).
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou nesta segunda-feira que um navio estava em chamas no estreito, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste da localidade omanense de Kumzar, sem precisar a causa do incêndio.
Pouco depois, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou que dois navios que tentavam passar pelo Estreito de Ormuz "explodiram e foram interceptados".
Na noite de domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, apelou à união da comunidade internacional a Washington para "proteger o transporte marítimo" nessa passagem.
burx-roc/tmt/cr/mas/mmy/erl/jc/aa
F.Wilson--AT