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Guerra entre Irã e EUA se agrava com ataques a infraestruturas
Bombardeios americanos atingiram, entre quinta e sexta-feira (16), infraestruturas de transporte do Irã, segundo a imprensa do país, em uma nova escalada da guerra mais de uma semana depois da retomada das hostilidades em torno do Estreito de Ormuz.
“Os ataques continuam e são tão violentos que minhas mãos tremem”, disse à AFP Hani, um professor iraniano de 34 anos que vive na cidade de Ahvaz, no sudoeste. “Tenho a impressão de que meus ouvidos vão explodir.”
Uma série de explosões sacudiu diferentes áreas do sul do Irã, perto do estratégico Ormuz, informaram os meios de comunicação estatais do país.
A emissora estatal Irib indicou que duas pontes foram atingidas na região de Bandar Jamir, o que deixou três mortos e nove feridos. Uma estação ferroviária também foi “alvo do inimigo americano” em Bandar Abbas, segundo o canal, que contabiliza dois feridos no local.
Bushehr, cidade portuária situada na costa sudoeste onde fica a única usina nuclear do país, sofreu um bombardeio que deixou um ferido, relatou seu governador, citado pela agência Irna. O aeroporto de Iranshahr (sudeste) também foi atingido por “ao menos um projétil do inimigo americano”, de acordo com a Irib.
O Exército dos Estados Unidos havia anunciado uma nova onda de bombardeios contra o Irã, pela sexta noite consecutiva. O presidente Donald Trump ameaçou ao longo da semana atacar as pontes e as usinas elétricas do país se os iranianos não voltassem à mesa de negociações.
Teerã, por sua vez, continuou atacando países da região aliados de Washington, em um cenário que se repete de forma idêntica há vários dias. Na madrugada desta sexta-feira, a Força Aérea do Kuwait anunciou que enfrentava “ataques com drones e mísseis” atribuídos a Teerã, enquanto no Bahrein as sirenes de alerta soaram.
As hostilidades foram retomadas em 7 de julho, após ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irã. Os bombardeios realizados desde então não têm precedentes desde o cessar-fogo de abril e minam os esforços diplomáticos para pôr um fim duradouro à guerra.
O conflito no Oriente Médio, deflagrado em 28 de fevereiro por ataques israelenses e americanos contra o Irã, causou milhares de mortes, principalmente na república islâmica e no Líbano, onde se enfrentam Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, e continua abalando a economia mundial.
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No fim de semana, o Irã voltou a bloquear essa rota marítima e, em retaliação, os Estados Unidos restabeleceram na terça seu bloqueio aos portos iranianos. Para garantir o cumprimento da medida, as forças americanas disseram nesta quinta que abordaram um navio no golfo de Omã.
Em Ormuz, por onde antes da guerra transitava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) mundial, o tráfego diminuiu. Os preços do petróleo se mantêm em geral estáveis apesar da situação, com o barril de Brent girando em torno de 85 dólares.
Em Teerã, até agora a salvo dos bombardeios, a vida segue seu curso sem aparentes sinais de inquietação, apesar da ativação, durante a noite, de sistemas de defesa antiaérea na periferia da cidade.
Ali, depois de uma faixa com Trump em um caixão, foi instalado em um cruzamento um grande painel vermelho que proclama em inglês: “Who is D nexT one?” (“Quem será o próximo?”). As letras D e T, iniciais do presidente, estão em maiúsculo, e a primeira aparece estilizada como seu famoso topete.
Mais de 30 civis morreram desde a retomada dos combates, de acordo com as autoridades iranianas, que também informaram a morte de sete militares. O Irã respondeu aos ataques americanos mirando sistematicamente o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia.
A guerra também se estendeu ao Iraque, onde o primeiro-ministro condenou um “ataque com drones” perto do consulado americano em Erbil, na região do Curdistão, o primeiro na área desde a trégua de abril.
Além disso, um navio que transportava veículos foi atingido em frente ao porto de Basra (sul), segundo uma fonte de segurança iraquiana.
burx-vgu/mas-erl/avl/an/pc/ad/arm/ic
R.Garcia--AT