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Acusações falsas sobre fraude eleitoral e Venezuela reaparecem em discurso de Trump
O presidente americano, Donald Trump, retomou alegações já desmentidas sobre fraude e interferência estrangeira nas eleições de 2020 ao afirmar, em um discurso na quinta-feira (16), que a China roubou milhões de registros de eleitores e sugerir que a Venezuela poderia manipular as máquinas de votação americanas.
A Casa Branca retirou o sigilo de documentos de inteligência enquanto Trump reforçava sua alegação de que a eleição perdida para Joe Biden em 2020 lhe foi "roubada", algo que nunca foi comprovado.
Mais de 60 ações judiciais não encontraram evidências de fraude capazes de alterar o resultado daquela eleição. Autoridades eleitorais e integrantes da própria administração Trump rejeitaram repetidamente essas alegações.
Rick Hasen, especialista em direito eleitoral da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou à AFP que o discurso de Trump consistiu principalmente em "alegações recicladas e já desmentidas".
Veja, a seguir, uma verificação de algumas das afirmações de Trump:
- Dados comprometidos pela China -
Trump acusou Pequim de promover "o maior ataque hacker a dados eleitorais da história, que resultou na aquisição ilegal, pela China, de 220 milhões de registros de eleitores americanos".
Posteriormente, afirmou que o país asiático tentou "produzir cédulas ilegais em favor de Joe Biden".
Nos Estados Unidos, porém, os registros eleitorais são, em grande parte, informações públicas que os estados são obrigados a manter e que são regularmente comercializadas.
Um relatório divulgado em março de 2021, elaborado pelas principais agências de inteligência americanas, concluiu que "não havia indícios de que qualquer agente estrangeiro tenha tentado alterar qualquer aspecto técnico do processo de votação".
O documento também indicou que as agências concluíram, com "alto grau de confiança", que a China "não realizou ações de interferência e considerou, mas não executou, ações de influência destinadas a alterar o resultado".
Uma avaliação independente do governo chegou de forma semelhante à conclusão de que não havia "evidência de que qualquer agente vinculado a um governo estrangeiro" tenha comprometido a eleição.
Uma conspiração desse tipo para criar milhares de eleitores falsos exigiria registros fraudulentos da Previdência Social, endereços residenciais e documentos de identificação, tudo isso sem ser detectado, escreveu na rede social X o ex-responsável pelo registro eleitoral do condado de Maricopa, Stephen Richer.
- Venezuela -
Trump também afirmou que as eleições da Venezuela foram fraudadas sob o governo do presidente Nicolás Maduro e sugeriu que as máquinas de votação dos Estados Unidos seriam vulneráveis a manipulações semelhantes.
Os comentários retomaram teorias conspiratórias promovidas por aliados de Trump em 2020, segundo as quais haveria um complô venezuelano para alterar votos americanos por meio da empresa de tecnologia eleitoral Smartmatic.
A Smartmatic, cuja tecnologia foi usada apenas em um único condado sem disputa relevante durante as eleições de 2020, posteriormente obteve acordos judiciais e vitórias em ações por difamação relacionadas a essas alegações falsas.
Documentos divulgados pela Casa Branca na quinta-feira indicam que autoridades venezuelanas "desenvolveram um interesse constante e provavelmente alguma capacidade para manipular sistemas eletrônicos de votação", mas que as informações de inteligência "não confirmaram de forma definitiva a ocorrência de fraude eletrônica em larga escala em eleições específicas na Venezuela".
Os documentos acrescentam que "nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham capacidade" para "manipular de forma previsível o resultado de uma eleição fora da Venezuela".
"Nada do que foi apresentado mostra evidências de qualquer manipulação eleitoral", declarou à AFP Charles Stewart, especialista em eleições do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
- Eleitores não cidadãos -
Trump também afirmou que centenas de milhares de pessoas sem cidadania americana estavam registradas para votar.
O voto de não cidadãos é ilegal e, segundo auditorias eleitorais e investigações independentes, casos desse tipo são extremamente raros.
Além disso, existem diversas salvaguardas destinadas a impedir que pessoas sem cidadania americana votem.
W.Nelson--AT