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Japão reforma lei, mas mantém fechada a porta para uma imperatriz
O Parlamento japonês aprovou nesta sexta-feira (17) uma reforma da lei de sucessão imperial, mas manteve o veto para que uma mulher possa ser imperatriz, apesar de a ideia contar com o apoio da opinião pública, segundo as pesquisas.
O futuro da Casa Imperial do Japão, que segundo a mitologia descende da deusa xintoísta do sol, Amaterasu, depende atualmente do príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do atual imperador Naruhito, de 66.
Se Hisahito — que não é casado e começou recentemente a estudar biologia — não tiver um filho homem, a linha de sucessão se extinguiria por não contar com um herdeiro.
Na história houve oito imperatrizes no Trono do Crisântemo, cujo status divino foi abolido após a Segunda Guerra Mundial.
No entanto, uma lei da Casa Imperial de 1889 estipulou que apenas homens podiam se tornar imperador, e somente por meio da linhagem paterna. Essa disposição foi incorporada em 1947 à atual Lei da Casa Imperial.
Isso descarta que a popular princesa Aiko, de 24 anos, filha de Naruhito, ou qualquer outra mulher da realeza, possa vir a ser imperatriz.
A reforma, aprovada por ampla maioria na Câmara Alta japonesa, autorizou, no entanto, a reincorporação à família imperial de parentes homens distantes com mais de 15 anos, desde que sejam solteiros, e que seus futuros filhos sejam elegíveis para ascender ao trono.
São membros de 11 famílias que saíram do registro imperial após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. Seu antepassado comum com o atual imperador remonta ao século XV e está "a uma distância de 36 a 38 graus de parentesco", segundo a Agência da Casa Imperial.
- "Absolutamente indignante" -
Esta reforma da legislação imperial foi alcançada após disputas internas no governante Partido Liberal Democrata, liderado pela conservadora Sanae Takaichi, a primeira mulher a governar o Japão e que se opõe à sucessão feminina.
Seiichiro Murakami, um veterano deputado do partido, considera "absolutamente indignante" descartar a possibilidade de que Aiko se torne imperatriz.
Asahiro Kuni, de 81 anos e membro de um dos 11 ramos imperiais, também disse que aconselharia seus netos a rejeitar a oportunidade de se tornar membros da realeza.
"Pode ser que haja pessoas que queiram se unir à família imperial, mas, se entendessem as dificuldades da vida como membro da realeza, provavelmente não diriam algo assim", acrescentou Kuni.
Uma pesquisa realizada pelo veículo Mainichi Shimbun no mês passado revelou que apenas 23% da população era a favor de que filhos de membros da família imperial readotados se tornassem imperadores, enquanto 34% se opunha. Por outro lado, mais de 70% apoiou que uma mulher fosse imperatriz, e 40%, uma sucessão matrilinear.
Uma sondagem realizada pelo Asahi Shimbun em maio também revelou que 72% dos entrevistados era a favor de mudar as regras para permitir que mulheres ascendam ao trono.
T.Perez--AT