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Cuba se recupera aos poucos de apagão maciço, mas situação segue crítica
Submetida a um bloqueio petrolífero por parte dos Estados Unidos, Cuba começa a restabelecer o abastecimento elétrico no leste do país após um novo apagão maciço nesta quinta-feira (14), mas a situação segue crítica, pois a ilha não dispõe de reservas de diesel e óleo combustível.
Os cubanos não escondem mais a exasperação diante dos intermináveis cortes de luz, o que levou o governo a aceitar, nesta quinta-feira, examinar uma proposta de ajuda americana de 100 milhões de dólares (R$ 498 milhões, na cotação atual).
Na quarta-feira, o ministro da Energia e Minas, Vicente de la O Levy, informou que Cuba não tinha "absolutamente nada de óleo combustível", nem "absolutamente nada de diesel" para os grupos eletrogêneos (geradores) que complementam a geração de energia das sete centrais termelétricas do país.
Ele também afirmou que as 100.000 toneladas de petróleo que o navio russo autorizado pelos Estados Unidos a atracar em Cuba no fim de março "se esgotaram".
A situação, já crítica nos últimos dias, piorou ainda mais na manhã desta quinta-feira, com a desconexão da rede elétrica em sete das 15 províncias do país. Ao meio-dia, três províncias ainda permaneciam desligadas do sistema elétrico nacional, segundo as autoridades.
A empresa elétrica também anunciou, nesta quinta-feira, que a central termelétrica Antonio Guiteras, cerca de 100 km a leste de Havana e a mais importante do país, se desconectou da rede devido a um "vazamento na caldeira".
Os reparos poderiam levar vários dias, segundo as autoridades.
Os repetidos apagões geraram tensões sociais em Havana na noite de quarta-feira. Os moradores protestaram com exasperação devido aos cortes, que podem superar 20 horas ou durar inclusive mais.
Moradores de vários bairros da capital fizeram panelaços para expressar seu cansaço, segundo testemunhos coletados pela AFP. "Liguem a luz!", gritaram moradores de Playa, bairro a oeste da capital.
Diante da grave crise que enfrenta, o governo cubano se declarou "disposto" a examinar a proposta financeira dos Estados Unidos.
Embora tenha considerado que se esta ajuda atender as "práticas universalmente reconhecidas" para a ajuda humanitária, não encontrará "obstáculos" por parte do governo, o presidente Miguel Díaz-Canel avaliou que uma suspensão do "bloqueio" imposto pelos Estados Unidos seria "um modo mais fácil" de ajudar a ilha.
"O dano poderia ser aliviado de um modo mais fácil e expedito com a suspensão ou o alívio do bloqueio, pois conhece-se que a situação humanitária é friamente calculada e induzida" por Washington, escreveu Díaz-Canel no X.
Na quarta-feira, os Estados Unidos reiteraram uma oferta de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária, com a condição de que seja distribuída pela Igreja católica, sem passar pelo governo comunista.
- "Disfuncional" -
"O governo cubano não tem como prática rejeitar ajuda estrangeira oferecida de boa fé e com fins genuínos de cooperação", reagiu, nesta quinta-feira, o chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, ressaltando, ao mesmo tempo, "a incongruência da aparente generosidade de parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo".
A ilha, submetida a um embargo econômico pelos Estados Unidos desde 1962, enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2023, agravada pelo bloqueio petrolífero imposto por Washington desde o começo deste ano.
Desde o fim de janeiro, apenas um navio russo com 100.000 toneladas de petróleo foi autorizado a atracar em Cuba.
Havana acusa Washington de ser responsável pela situação crítica de seu sistema elétrico, enquanto os Estados Unidos consideram que a crise energética cubana se deve à má gestão interna.
Marco Rubio, filho de pais cubanos e crítico ferrenho do governo de Havana, declarou, na noite de quarta-feira, que os dirigentes cubanos devem mudar.
"É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente", disse Rubio à Fox News.
M.Robinson--AT