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Xi recebe Trump para tratar de suas múltiplas divergências
O presidente da China, Xi Jinping, recebe nesta quinta-feira (14) em Pequim seu par americano, Donald Trump, para abordar as múltiplas divergências entre as duas potências, como as relações comerciais, o Irã e Taiwan.
A cúpula entre os dois dirigentes começará às 10h locais (23h de quarta em Brasília) no Grande Salão do Povo, na praça Praça da Paz Celestial, centro nevrálgico do poder comunista na capital chinesa.
Apesar das relações tensas, o presidente chinês oferecerá à noite um banquete em homenagem a Trump e, na sexta-feira, compartilhará chá e almoço com ele.
Mas esses gestos em direção ao convidado, conhecido por seu gosto pelo ostensivo e pelas atenções, dificilmente farão desaparecer os múltiplos pontos de desacordo entre os dois mandatários.
Esta visita, prevista para o fim de março mas adiada pela guerra no Oriente Médio, é a primeira à China de um presidente americano desde que o próprio Trump viajou ao país em 2017.
Naquela ocasião, acompanhado da esposa Melania Trump, que desta vez não viaja, ele recebeu uma acolhida suntuosa, com uma recepção privada na majestosa Cidade Proibida.
Mas apenas algumas semanas depois, o presidente americano lançou uma onda de tarifas e restrições sobre os produtos chineses.
Ao retornar à Casa Branca em 2025, Trump retomou sua ofensiva tarifária e provocou uma guerra comercial que repercutiu na economia mundial, antes de fechar uma trégua com Xi em outubro.
- "Genial" -
O futuro das trocas entre as duas maiores economias do mundo será um dos principais temas da cúpula, precedida na quarta-feira por negociações comerciais e econômicas entre delegações dos dois países na Coreia do Sul.
"Será genial", disse Trump ao partir dos Estados Unidos. Em meados de abril, o republicano afirmou que Xi, pouco dado a demonstrações públicas de afeto, o receberia com "um grande abraço" em Pequim.
Na terça-feira, ele manteve seu otimismo em relação à visita e ao relacionamento pessoal com o líder chinês. "Ele foi um amigo meu. Foi alguém com quem nos entendemos", afirmou.
Entre as prioridades de Washington está alcançar acordos na área agrícola e, se possível, a confirmação de um pedido maciço de aviões à fabricante americana Boeing.
Trump levou em sua delegação o diretor-executivo da companhia aeronáutica, Kelly Ortberg, mas também empresários americanos de destaque, como Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Jensen Huang (Nvidia).
Durante o longo voo rumo à China, Trump afirmou nas redes sociais que pressionaria Xi para "abrir" o gigante asiático às empresas americanas.
Os Estados Unidos, assim como outros países ocidentais, acusam Pequim de se beneficiar de um superávit comercial e de praticar concorrência desleal ou violações de propriedade intelectual.
Mas existem muitos outros pontos de atrito, como o fornecimento de terras raras ou semicondutores, a situação de Taiwan e, desde fevereiro, o conflito com o Irã.
- China pede "estabilidade" -
Segundo o governo americano, Trump quer convencer a China, principal importadora de petróleo e parceira estratégica do Irã, a usar sua influência para encontrar uma saída para a crise no Golfo.
O presidente americano já tentou interromper as compras chinesas de petróleo iraniano por meio de sanções. Uma manobra condenada por Pequim, que, no entanto, não provocou uma crise diplomática aberta.
"Vamos ter uma longa conversa" sobre o Irã, disse Trump antes da viagem, embora tenha insistido que não precisa de "nenhuma ajuda" de Pequim no assunto.
Seu secretário de Estado, Marco Rubio, adotou um tom um pouco diferente: "Esperamos convencê-los a desempenhar um papel mais ativo para fazer com que o Irã abandone o que está fazendo agora", disse à Fox News nesta quarta-feira.
O fechamento quase total do Estreito de Ormuz em consequência dos bloqueios iraniano e americano afeta diretamente a China.
Na véspera da cúpula, a China insistiu que espera "mais estabilidade" no cenário internacional.
Além dos possíveis anúncios comerciais, especialistas demonstram pouca esperança de que a cúpula atenue significativamente a rivalidade em todas as frentes entre as duas potências.
Outro foco de atenção serão as declarações de ambas as partes sobre Taiwan, uma ilha com governo e Exército próprios que a China considera parte integrante de seu território.
Embora não reconheça oficialmente suas autoridades, os Estados Unidos são seu principal aliado e fornecedor de armamentos.
M.Robinson--AT