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Putin diz enfrentar na Ucrânia uma 'força agressiva' apoiada pela Otan
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou neste sábado (9) que seu exército enfrenta na Ucrânia uma força "agressiva" apoiada pela Otan, em seu discurso comemorativo do Dia da Vitória contra os nazistas, celebrado este ano em formato reduzido e aproveitando uma breve trégua com Kiev mediada pelos Estados Unidos.
O ato na Praça Vermelha de Moscou durou apenas 45 minutos, incluindo o discurso presidencial, e não exibiu armamentos.
Diferentemente da pompa do ano passado, quando compareceram cerca de vinte líderes internacionais de países como China e Brasil, desta vez participaram apenas alguns poucos dirigentes aliados, de nações como Belarus, Cazaquistão, Malásia e Eslováquia.
A celebração foi beneficiada no último momento pela entrada em vigor de uma trégua de três dias entre Rússia e Ucrânia, anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump.
Até o último instante, portanto, o evento esteve ameaçado por possíveis ataques de drones ucranianos, que poderiam ter perturbado a comemoração do triunfo da União Soviética contra o nazismo, celebrada todos os anos na Rússia no dia 9 de maio.
"O grande sucesso da geração vitoriosa inspira hoje os soldados que realizam a operação militar especial [na Ucrânia]. Eles enfrentam uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan", declarou Putin em seu discurso.
"Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre", acrescentou o dirigente.
Após mais de quatro anos de conflito, a Rússia controla cerca de 20% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
Nas comemorações, segundo foi possível ver na televisão russa, participaram soldados da Coreia do Norte, que em 2025 ajudaram Moscou a expulsar as tropas ucranianas da região russa de Kursk.
- Três dias de trégua -
O desfile começou às 10h00 locais (04h00 de Brasília) e terminou às 10h45, sob fortes medidas de segurança.
A internet móvel estava cortada no centro de Moscou e muitas ruas da capital estavam quase vazias, constataram jornalistas da AFP.
As comemorações na Praça Vermelha de Moscou são um evento-chave que permite a Putin exaltar a memória do triunfo soviético em 1945 e unir a população russa em apoio à campanha militar na Ucrânia.
Mas este ano os atos estavam ameaçados pelos incessantes ataques de drones de Kiev e, nas ruas, os moradores de Moscou não parecem muito esperançosos de que a paz volte tão cedo.
O fim do conflito "não será em breve, por mais que todos queiramos a paz", diz à AFP Elena, uma economista de 36 anos que prefere não informar seu sobrenome e está principalmente irritada com o corte da internet. "Eu preciso dela, e não tem."
O dia 9 de maio é "um dia como qualquer outro", acrescenta Daniil, de 26 anos, a caminho da academia. Perguntado se essa breve trégua é um prelúdio para a paz, responde com um seco "não".
Após duas tentativas de trégua, primeiro ucraniana e depois russa, que não foram respeitadas nesta semana, Trump anunciou na sexta-feira um cessar-fogo de três dias entre as partes a partir deste sábado.
"Esperemos que seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil", escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social, ao precisar que o cessar-fogo seria acompanhado por uma "troca" de 1.000 prisioneiros de cada país.
Trump considerou que o fim da guerra está "cada vez mais próximo", enquanto nesta semana foram retomadas as conversas entre negociadores ucranianos e americanos na Flórida.
Essas conversas haviam ficado em segundo plano desde o início, em 28 de fevereiro, da guerra no Oriente Médio. Na sexta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, disse esperar a chegada à Ucrânia, nas próximas semanas, dos enviados de Washington.
H.Thompson--AT