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EUA e Irã concluem negociações sem acordo de paz, mas trégua permanece
Irã e Estados Unidos concluíram suas negociações em Islamabad neste domingo(12) sem chegar a um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio, mas a região mantém a esperança de que a frágil trégua se mantenha.
O vice-presidente JD Vance, chefe da delegação americana, deixou a capital paquistanesa após lamentar a falta de um "compromisso firme" do Irã em renunciar às armas nucleares.
"Saímos daqui com uma proposta muito simples, uma abordagem que constitui nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam", acrescentou.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou na rede social X que sua equipe de negociação apresentou "iniciativas construtivas, mas, no fim, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações".
O fracasso das negociações aumenta as preocupações de que uma retomada dos combates possa levar a uma alta nos preços mundiais da energia e causar mais danos à navegação e às instalações de petróleo e gás no Golfo.
No entanto, o Ministério da Energia da Arábia Saudita anunciou neste domingo que seu principal oleoduto leste-oeste voltou a operar após ter sofrido danos em ataques anteriores. E o Ministério dos Transportes do Catar anunciou que suspenderá algumas restrições à navegação no Golfo.
- Instrumento de pressão -
O site de notícias americano Axios citou uma fonte anônima próxima às negociações, afirmando que os principais pontos de impasse incluíam "a exigência do Irã de controlar o Estreito de Ormuz e sua recusa em abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido".
O ministro da Saúde britânico, Wes Streeting, falando em nome de seu governo, disse à Sky News que o fracasso das negociações foi "decepcionante", mas "isso não significa que não valha a pena continuar tentando".
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, desencadeando uma retaliação de Teerã que mergulhou o Oriente Médio em conflito e abalou a economia global.
O Irã e os Estados Unidos iniciaram as negociações, mediadas pelo Paquistão, com posições maximalistas.
As tensões se tornaram evidentes quando a imprensa iraniana acusou Washington de fazer "exigências excessivas" sobre o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes de seu fechamento efetivo pelo Irã durante a guerra.
- Mais de 2.000 mortos no Líbano -
Horas após o início das negociações no sábado, o presidente americano, Donald Trump, insistiu que os Estados Unidos já haviam triunfado no campo de batalha ao matar líderes iranianos, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e destruir infraestruturas militares cruciais.
"Se chegarmos a um acordo ou não, não me importa. O fato é que vencemos", declarou.
As exigências iranianas para qualquer acordo que ponha fim à guerra incluem também o desbloqueio de bens iranianos sujeitos a sanções e o fim da guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor na quarta-feira, Israel mantém a posição de que o Líbano não está incluído na trégua.
No sábado, ataques israelenses no sul do Líbano mataram 18 pessoas, segundo o Ministério da Saúde. O exército israelense anunciou ter atacado mais de 200 alvos do Hezbollah nas últimas 24 horas.
Na quarta-feira, o Líbano realizou seus ataques mais mortais da guerra, com pelo menos 357 mortes em um único dia, de acordo com os dados mais recentes.
Autoridades libanesas relataram que, desde 2 de março, 2.020 pessoas foram mortas e 6.436 ficaram feridas.
Segundo a Presidência libanesa, negociações entre o Líbano e Israel estão agendadas para terça-feira em Washington, o que não é bem visto pelo Hezbollah.
Netanyahu quer um acordo que "dure por gerações".
burs/pb/hgs/pc/jc
K.Hill--AT