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Trump diz que mudança de regime no Irã 'seria a melhor coisa que poderia acontecer'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, nesta sexta-feira (13), que uma mudança de governo no Irã "seria a melhor coisa que poderia acontecer", após ordenar um segundo porta-aviões a se dirigir para o Oriente Médio para aumentar a pressão sobre a República Islâmica.
As declarações de Trump são seu chamado mais explícito até hoje para derrubar as autoridades iranianas, e ocorrem enquanto Washington pressiona Teerã para que chegue a um acordo sobre o seu programa nuclear.
"Parece que isso seria a melhor coisa que poderia acontecer", disse Trump aos jornalistas na base militar de Fort Bragg, na Carolina do Norte, quando um repórter lhe perguntou se desejava uma "mudança de regime" no Irã.
O republicano se negou a dizer quem ele gostaria que assumisse o controle no país asiático, mas acrescentou que "há pessoas".
Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, convocou o povo iraniano a realizar novas ações de protesto, em paralelo com concentrações previstas para este sábado no exterior. Uma onda de manifestações em janeiro no Irã foi duramente reprimida pelas autoridades.
Trump ameaçou realizar ações militares contra a República Islâmica após a resposta das forças de segurança em Teerã às manifestações no mês passado, que deixou milhares de mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Em seguida, continuou pressionando Teerã para alcançar um acordo, em especial sobre seu programa nuclear. Os dois países retomaram as conversas em 6 de fevereiro, em Omã, mas a continuidade desse diálogo segue incerta.
"É preciso chegar a um acordo, caso contrário será muito traumatizante" para o Irã, advertiu Trump na quinta-feira.
Mais cedo nesta sexta, na Casa Branca, Trump assinalou que o USS Gerald R. Ford —o maior navio de guerra do mundo — "zarpará em breve" para o Oriente Médio.
"Caso não consigamos um acordo, vamos precisar dele", disse Trump.
- 'Terrivelmente difícil' -
Na ausência de um acordo com Teerã, Trump disse na quinta-feira que passaria à "fase dois", que seria "muito dura" para os iranianos. Ele também recordou o bombardeio realizado pelos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada por Israel em junho do ano passado.
O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln permanece na região do Golfo desde janeiro.
A natureza dos alvos que Washington poderia atacar em caso de uma intervenção não está clara, tampouco suas intenções em relação aos líderes iranianos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na quinta-feira que expressou a Trump seu "ceticismo quanto à qualidade de qualquer acordo com o Irã".
Netanyahu, que se reuniu na quarta-feira em Washington com Trump, acrescentou que qualquer pacto também deveria considerar os mísseis balísticos iranianos e seu apoio a grupos armados na região, como o movimento islamista palestino Hamas, os rebeldes huthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta sexta-feira que um acordo entre a organização e Teerã sobre as inspeções de seu programa nuclear é "possível", mas "terrivelmente difícil".
Grossi declarou, na Conferência de Segurança de Munique, que o Irã havia se recusado, em novembro, a permitir que a AIEA inspecionasse as diferentes instalações bombardeadas em junho.
- Convocação de protestos -
O filho do último xá, que vive nos Estados Unidos e não voltou a pisar em seu país natal desde a Revolução Islâmica de 1979, convocou manifestações no sábado em Munique (Alemanha), Toronto (Canadá) e Los Angeles (Estados Unidos) para exigir uma ação internacional contra Teerã e instou o povo iraniano a se somar à causa, levantando a voz de suas casas.
"Gritem suas exigências. Demonstrem sua unidade. Com uma vontade inabalável, prevaleceremos sobre este regime ocupante", escreveu ele na rede X.
Na terça-feira, em Teerã, às vésperas do 47º aniversário da revolução que culminou com a queda do xá, moradores gritaram de suas janelas palavras de ordem contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo vídeos divulgados nas redes sociais e verificados pela AFP.
Segundo a ONG HRANA, com sede nos Estados Unidos, ao menos 7.005 pessoas, a maioria manifestantes, foram mortas durante os protestos do início de janeiro no Irã. Além disso, mais de 53 mil pessoas foram detidas desde então.
De acordo com as autoridades iranianas, o saldo das manifestações chega a mais de 3 mil mortos, em grande maioria integrantes das forças de segurança ou transeuntes mortos por "terroristas" a serviço de Israel e dos Estados Unidos.
A.Williams--AT