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Autoridade eleitoral considera 'ilegal' recontagem de votos em Honduras
A autoridade eleitoral de Honduras considerou ilegal, nesta segunda-feira (12), que o governo de esquerda em fim de mandato tenha ordenado a recontagem de votos das disputadas eleições presidenciais que determinaram como vencedor o empresário Nasry Asfura, apoiado por Donald Trump.
A presidente Xiomara Castro considera que os resultados eleitorais estão "viciados em nulidade" devido à "interferência" do presidente dos Estados Unidos, que ameaçou cortar a ajuda a Honduras caso o candidato conservador não vencesse.
Asfura se reúne nesta segunda-feira em Washington com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, cujo gabinete advertiu no último fim de semana que "qualquer tentativa de reverter ilegalmente as eleições de Honduras terá consequências graves". O presidente eleito tomará posse em 27 de janeiro.
Castro, que também denuncia "manipulação" da apuração, promulgou uma decisão do Congresso, que ordenou na sexta-feira a recontagem de votos em uma sessão da qual os opositores não participaram.
Mas a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Ana Paola Hall, assegurou, nesta segunda-feira, que seriam "diretrizes inconstitucionais e ilegais", com as quais se pretende "usurpar" atribuições do órgão. Não é uma decisão "vinculante", acrescentou.
Mais de três semanas após a votação, Asfura, de 67 anos, foi proclamado vencedor por menos de um ponto percentual de vantagem sobre o candidato de direita Salvador Nasralla, que denunciou fraude.
Castro também rejeita que, às vésperas da eleição, Trump tenha indultado o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura. Hernández cumpria pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas.
O chefe das Forças Armadas, Héctor Valerio, afirmou, nesta segunda-feira, que essa instituição continua "respaldando a declaração do CNE" que deu a vitória a Asfura, e garantiu a custódia do material eleitoral.
Para o advogado constitucionalista Oliver Erazo, a recontagem decretada pela presidente hondurenha é "totalmente ilegal", pois viola a independência das autoridades eleitorais.
A única forma de que isso ocorra é por meio do "uso da força e das armas e da desordem social", assinalou o jurista à AFP, explicando que o decreto poderá ser revogado por Asfura ou pelo novo Congresso.
Th.Gonzalez--AT