Arizona Tribune - Quinto aniversário da invasão do Capitólio expõe polarização persistente nos EUA

Quinto aniversário da invasão do Capitólio expõe polarização persistente nos EUA
Quinto aniversário da invasão do Capitólio expõe polarização persistente nos EUA / foto: Olivier DOULIERY - AFP/Arquivos

Quinto aniversário da invasão do Capitólio expõe polarização persistente nos EUA

Os Estados Unidos relembram, nesta terça-feira (6), o quinto aniversário da invasão do Capitólio, a sede do Congresso americano vandalizada por uma multidão de apoiadores de Donald Trump, que revelou uma divisão social existente no país e que só fez aumentar desde então.

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O aniversário expõe um país dividido entre relatos irreconciliáveis de um ataque que redefiniu a política americana: um, apoiado em conclusões oficiais de uma tentativa violenta de anular uma eleição legítima, e outro retratando-o como um protesto criminalizado injustamente.

"Há cinco anos na data de hoje, 6 de janeiro, uma multidão violenta atacou brutalmente o Capitólio dos EUA. A missão deles era anular uma eleição livre e justa. Nunca permitiremos que extremistas acobertem sua traição", postou no X o líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries.

Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores de Trump se reuniram em Washington, depois que o presidente os conclamou a protestar contra a certificação pelo Congresso da vitória de Joe Biden nas eleições de novembro de 2020.

Milhares deles invadiram a área do Capitólio, sobrecarregando os policiais mobilizados e ferindo mais de 140 agentes. Quebraram janelas e portas, saquearam gabinetes e forçaram os legisladores a se esconder, enquanto a certificação foi interrompida por horas.

Nesta terça-feira, os democratas realizaram na Câmara dos Representantes uma audiência extraoficial com policiais, ex-parlamentares e civis que vivenciaram a violência em primeira mão.

Muitos dos envolvidos na investigação original do Congresso dizem que o objetivo não é reavaliar o passado, mas impedir que ele seja apagado — especialmente depois que Trump voltou ao cargo e perdoou quase todos os réus condenados pelo ataque.

- Violência política normalizada -

Um novo relatório publicado pelos democratas documenta as novos crimes cometidos posteriormente por dezenas de vândalos indultados por Trump, e alertam que o perdão presidencial ajuda a normalizar a violência política.

Do lado de fora do Capitólio, apoiadores de Trump, incluindo nomes ligados à organização de extrema-direita Proud Boys, organizaram uma marcha refazendo o percurso da multidão de manifestantes em 2021.

O evento é promovido, entre outros, pelo ex-líder do grupo Enrique Tarrio, que cumpria pena de 22 anos de prisão por conspiração sediciosa, um crime federal nos Estados Unidos, antes de receber o perdão de Trump.

Os organizadores dizem que o ato será uma homenagem aos mortos no 6/01, incluindo a manifestante pró-Trump Ashli Babbitt, e protestar contra o que descreveram como uso excessivo da força pela polícia e processos judiciais motivados politicamente.

O ponto de tensão entre os dois lados é o papel de Trump no ataque. Os democratas afirmam que ele incitou o ataque para reverter a eleição e os republicanos rejeitam essa avaliação e citam, em vez disso, falhas de segurança e criticam o Departamento de Justiça.

Líderes republicanos desqualificaram a audiência desta terça-feira como partidária e demonstraram pouco interesse em realizar uma comemoração formal.

O presidente da Câmara de Representantes, Mike Johnson, um aliado fiel de Trump, ainda não instalou uma placa em homenagem aos policiais do Capitólio que defenderam o edifício naquele dia, apesar de uma lei federal exigir isto.

E o representante republicano Barry Loudermilk argumentou que o 6 de janeiro tem sido usado para promover uma narrativa política contra Trump e seus aliados.

O ex-conselheiro especial do Departamento de Justiça Jack Smith disse que o ataque não teria ocorrido sem Trump, mas desistiu do caso após a reeleição do republicano.

A Câmara, controlada pelos democratas em 2021, aprovou o impeachment de Trump logo após a invasão do Capitólio, mas ele foi absolvido pelo Senado, então liderado pelos republicanos.

T.Sanchez--AT