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EUA mantém pressão e apreende petroleiros no Atlântico Norte e Caribe
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (7), a apreensão de dois navios petroleiros sujeitos a sanções, um interceptado por forças militares no Atlântico Norte, de bandeira russa, e outro no Caribe, ambos relacionados ao bloqueio à Venezuela.
A apreensão do petroleiro no Caribe foi anunciada pelo Comando Sul (Southcom), enquanto o petroleiro no Atlântico Norte foi interceptado na costa da Islândia após uma perseguição de vários dias, o que foi confirmado pelo Comando Europeu dos Estados Unidos.
"O bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em pleno vigor — em qualquer lugar do mundo", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, na rede social X .
O Departamento do Tesouro mantém há anos uma lista de petroleiros de países como Venezuela, Rússia e Irã, que é atualizada regularmente e na qual estão sujeitos à apreensão sob sua própria legislação.
A multinacional americana Chevron opera na Venezuela sem problemas, graças a uma permissão especial que a isenta das sanções americanas à indústria petrolífera venezuelana.
- "Sob meu controle" -
As operações se intensificaram repentinamente com o aumento da pressão sobre a Venezuela desde setembro. Os Estados Unidos começaram bombardeando embarcações suspeitas de tráfico de drogas que partiam da costa venezuelana. Os cerca de trinta ataques deixaram mais de cem mortos.
Em dezembro, o presidente Donald Trump anunciou o início do bloqueio do petróleo, que Caracas denunciou como interferência. As apreensões, protestou o presidente Nicolás Maduro na época, foram um ato de "pirataria".
Maduro e sua esposa foram capturados em 3 de janeiro em uma operação militar surpresa de madrugada em Caracas, que abalou o cenário diplomático na região e no mundo.
Desde então, Trump afirmou que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela e que empresas americanas controlarão seu petróleo — as maiores reservas comprovadas do mundo.
A exploração de petróleo deve ser reaberta para multinacionais americanas e estrangeiras, disse Trump após a operação militar, mas sem fornecer mais detalhes.
O presidente republicano, que relegou a um segundo plano a possibilidade de eleições na Venezuela, agora fez do petróleo venezuelano seu principal alvo.
Na terça-feira, ele afirmou que as "autoridades interinas da Venezuela" entregariam "entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo" aos Estados Unidos. "Este petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro estará sob meu controle", declarou Trump em sua rede Truth Social. A receita poderia chegar a mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,77 bilhões) aos preços atuais de mercado.
Nesta quarta-feira, o secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os Estados Unidos controlarão as vendas de petróleo venezuelano por tempo indeterminado.
"Vamos comercializar o petróleo procedente da Venezuela, primeiro este petróleo armazenado que está retido, e depois, indefinidamente, a partir de agora, venderemos a produção da Venezuela no mercado", declarou Wright em um evento do setor de energia organizado pelo Goldman Sachs em Miami.
- Petróleo venezuelano -
A operação no Atlântico Norte ilustra a complexidade do bloqueio contra a Venezuela e a falta de transparência do mercado paralelo de petróleo em todo o mundo.
A Rússia criticou o ataque ao navio. "De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação se aplica em águas internacionais, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas sob a jurisdição de outros Estados", afirmou seu Ministério dos Transportes em um comunicado à imprensa.
O petroleiro estava sob sanções desde 2024 por supostos vínculos com o Hezbollah e o Irã e seguia para a Venezuela. Ele mudou de rumo, bandeira e nome enquanto fugia das forças militares e da Marinha americana no Caribe.
Foi renomeado Marinera e passou a hastear a bandeira russa. A perseguição chegou à costa da Islândia. A Rússia enviou um submarino para escoltar o petroleiro vazio, aparentemente sem sucesso.
A China, que até então recebia a maior parte do petróleo venezuelano, também expressou sua irritação com o bloqueio e as operações militares.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo em caráter provisório após a deposição de Maduro, prometeu cooperar com os Estados Unidos em meio a temores de que Trump pudesse buscar uma mudança de regime mais ampla.
No entanto, não está claro se Rodríguez concordaria em fornecer petróleo, como esse plano funcionaria ou em que base legal se fundamentaria.
O anúncio de Trump contribuiu para a queda dos preços do petróleo em todo o mundo.
T.Perez--AT