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Trump estuda 'várias opções' para Groenlândia, incluindo a militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera várias vias para anexar a Groenlândia, e recorrer ao Exército é "sempre uma opção", informou a Casa Branca nesta terça-feira (6).
A dura advertência de Washington veio apesar de tanto a Groenlândia quanto a Dinamarca terem pedido uma reunião rápida com os Estados Unidos para esclarecer "mal-entendidos".
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela reacendeu os planos de Trump em relação ao território semiautônomo dinamarquês no Ártico, que conta com jazidas de terras raras ainda inexploradas e pode desempenhar um papel crucial à medida que o degelo polar abre novas rotas marítimas.
O mandatário "deixou claro que adquirir a Groenlândia é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir nossos adversários na região ártica", declarou a secretária de imprensa Karoline Leavitt.
"O presidente e sua equipe estão debatendo várias opções para alcançar esse importante objetivo da política externa e, claro, recorrer ao Exército dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe", acrescentou a porta-voz.
— Apoio europeu —
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu nesta terça-feira aos dirigentes europeus que expressaram seu apoio ao território diante das reiteradas reivindicações de Trump.
Nielsen voltou a insistir que a Groenlândia, cuja política externa e de defesa está nas mãos da Dinamarca, não está à venda e que apenas os habitantes do vasto território podem decidir seu futuro.
Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha já haviam se unido à Dinamarca para afirmar que defenderiam os "princípios universais" de "soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras".
"Esse apoio é importante em um momento em que princípios internacionais fundamentais estão sendo questionados", escreveu Nielsen nas redes sociais.
"Por esse apoio, desejo expressar meu mais profundo agradecimento. Em um momento em que o presidente dos Estados Unidos voltou a afirmar que seu país leva a Groenlândia muito a sério, esse apoio de nossos aliados da Otan é importante e inequívoco", acrescentou.
Washington já conta com uma base militar na Groenlândia, território onde vivem cerca de 57 mil pessoas.
Trump já havia indicado no domingo que a decisão sobre a Groenlândia poderia ser tomada "em cerca de dois meses", uma vez que a situação na Venezuela, onde forças americanas capturaram Nicolás Maduro, hoje presidente deposto, seja menos urgente.
Os dirigentes europeus sublinharam em uma declaração conjunta que "cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre as questões que lhes dizem respeito".
"O Reino da Dinamarca — incluindo a Groenlândia — faz parte da Otan. Portanto, a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, em cooperação com os aliados da Otan, incluindo os Estados Unidos", acrescentaram os líderes.
Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes de governo da Alemanha (Friedrich Merz), Itália (Giorgia Meloni), Polônia (Donald Tusk), Espanha (Pedro Sánchez), Reino Unido (Keir Starmer) e Dinamarca (Mette Frederiksen), essa cooperação deve respeitar "os princípios da Carta das Nações Unidas, em particular a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras".
Nielsen, por sua vez, insistiu em manter um "diálogo respeitoso por meio dos canais diplomáticos e políticos adequados, e mediante o uso dos fóruns existentes baseados nos acordos que já existem com os Estados Unidos".
Y.Baker--AT