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Trump afirma que operações contra traficantes venezuelanos começarão 'muito em breve' por terra
O presidente Donald Trump disse na quinta-feira (27) que os esforços para deter traficantes de drogas venezuelanos "por terra" começarão "muito em breve", em um aumento das tensões com Caracas, que afirma que a campanha antidrogas dos Estados Unidos busca derrubar o presidente Nicolás Maduro.
Trump fez os comentários durante uma videoconferência com tropas americanas para comemorar o Dia de Ação de Graças. Vários militares participam da ofensiva militar dos Estados Unidos no Caribe denominada "Lança do Sul".
"Nas últimas semanas, eles têm trabalhado para dissuadir os traficantes de drogas venezuelanos, dos quais há muitos", disse o presidente republicano ao se dirigir a uma unidade da Força Aérea baseada no Texas.
Não ficou claro imediatamente a quais ações o presidente se referia especificamente.
Desde setembro, as forças americanas atacaram mais de 20 embarcações que supostamente traficavam drogas em águas internacionais, ações que mataram pelo menos 83 pessoas.
Especialistas questionam a legalidade dos ataques, que Caracas considera "execuções extrajudiciais". Washington também realizou múltiplas demonstrações de força aérea na região nas últimas semanas, nas quais bombardeiros B-52 e B-1B voaram perto da costa da Venezuela.
Além disso, deslocou para o Caribe o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, acompanhado de navios de guerra e aviões de caça.
Ao falar sobre os esforços para deter o narcotráfico na região, Trump destacou: "Quase o detemos, está 85% bloqueado por mar".
"Provavelmente vocês notaram que as pessoas não querem fazer entregas por mar, e começaremos a detê-los por terra", afirmou, acrescentando: "Além disso, por terra é mais fácil, e isso começará muito em breve".
- "Interceptar cartéis" -
O governo Trump continua aumentando a pressão sobre a Venezuela, apesar de o presidente americano ter declarado recentemente que estava aberto ao diálogo com Maduro.
Washington designou na segunda-feira um suposto cartel de drogas venezuelano, o Cartel de los Soles, como uma organização terrorista estrangeira, algo que Caracas classificou como "uma farsa ridícula".
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, viajou à região esta semana. Na quinta-feira, ele e sua esposa passaram o Dia de Ação de Graças a bordo do porta-aviões.
O Pentágono publicou um vídeo em que Hegseth aparece servindo o tradicional peru no refeitório e expressando gratidão às tropas por "interceptar cartéis" e "defender o povo americano".
Um dia antes, a República Dominicana, aliada dos Estados Unidos no Caribe, informou a Hegseth que Washington poderia usar seu principal aeroporto e uma base aérea para operações contra o narcotráfico.
Segundo Maduro, já são "17 semanas de guerras psicológicas" de "forças estrangeiras imperialistas".
Washington "pressiona outros países porque acredita que pode isolar a Venezuela, pressiona outros países para que as companhias aéreas não venham ao nosso país", disse na quinta-feira a vice-presidente Delcy Rodríguez.
- Tráfico aéreo afetado -
As tensões afetaram os voos com origem e destino à Venezuela. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) pediu na quinta-feira à Venezuela que "reconsidere" a revogação das concessões a seis companhias que suspenderam seus voos após receberem um alerta de segurança dos Estados Unidos.
A autoridade aeronáutica venezuelana revogou na quarta-feira as permissões para operar no país das companhias Iberia, da Espanha; TAP, de Portugal; Avianca, da Colômbia; a filial colombiana da chileno-brasileira Latam; a brasileira GOL e a Turkish Airlines, da Turquia.
As companhias afetadas "reafirmam seu compromisso com o país" e sua disposição em restabelecer o serviço de forma segura "assim que as condições permitirem", afirmou a IATA.
Washington instou na semana passada as aeronaves que sobrevoam o espaço aéreo venezuelano a "redobrar a cautela" devido ao "agravamento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela e em seus arredores".
O chanceler de Portugal, Paulo Rangel, classificou a medida como "desproporcional".
Uma fonte da Iberia disse à AFP que o desejo da companhia "é retomar os voos para a Venezuela o mais rápido possível, assim que houver condições plenas de segurança".
A suspensão dos voos afetou até agora mais de 8.000 passageiros de pelo menos 40 voos diferentes, segundo dados da Associação Nacional de Agências de Viagem e Turismo (Avavit, na sigla em espanhol).
"Muitos passageiros estão retidos em diferentes países", comentou Sulmary Bravo, operadora de turismo.
Algumas poucas companhias venezuelanas, incluindo Avior e Laser, continuam oferecendo um número limitado de voos para cidades regionais e para a Espanha.
E.Rodriguez--AT