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Lula anuncia que buscará um quarto mandato nas eleições de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (23) em Jacarta, que buscará um quarto mandato nas eleições do próximo ano, durante uma viagem para reforçar seus laços com o sudeste asiático.
"Vou disputar um quarto mandato no Brasil", disse Lula em Jacarta, durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo indonésio, Prabowo Subianto.
"Esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano. Mas estou preparado para disputar outras eleições", acrescentou.
O Brasil terá eleições em outubro de 2026, em meio à forte polarização após a condenação de 27 anos de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar uma tentativa de golpe de Estado contra Lula em 2022.
O atual presidente, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, completará 80 anos na segunda-feira, mas disse que se sente "com a mesma energia de quando tinha 30 anos".
Esta é a primeira vez que Lula expressa com tanta clareza a intenção de voltar a concorrer às eleições.
Bolsonaro está inelegível até 2030 por disseminar informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. A direita começa a considerar vários nomes como candidatos, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Lula iniciou uma viagem pelo sudeste asiático, que também o levará à Malásia para participar da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), onde poderá se encontrar com Donald Trump.
- "Queremos comércio livre" -
Na Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo e novo parceiro do Brics, Lula defendeu o "comércio livre", e assinou acordos bilaterais sobre petróleo, gás, eletricidade, tecnologia, mineração e agricultura.
Subianto ressaltou que ambos os países estão trabalhando pra estabelecer um acordo de livre comércio entre a Indonésia e o bloco sul-americano Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai.
Brasília apostou em aprofundar suas relações com a Ásia, onde várias nações também foram atingidas pela guerra tarifária desencadeada por Trump desde que retornou à Casa Branca em janeiro.
O republicano impôs uma tarifa punitiva de 50% a muitos produtos brasileiros pelo que classificou como uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro. No caso da Indonésia, taxou suas importações em 19% após um acordo comercial.
Como demonstração de seu interesse em voltar sua atenção para o outro lado do Pacífico, Lula já viajou este ano para Japão, Vietnã e China. Em julho, Subianto visitou o Brasil, assim como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Em uma referência velada à guerra tarifária americana, Lula afirmou em Jacarta que "Indonésia e Brasil não querem uma segunda Guerra Fria".
"Nós queremos comércio livre (...) multilateralismo e não unilateralismo. Nós queremos democracia comercial e não protecionismo", afirmou.
As relações entre Washington e Brasília ficaram ainda mais tensas com as sanções contra funcionários de alto escalão do governo brasileiro motivadas pelo julgamento de Bolsonaro.
Lula e Trump, no entanto, começaram a resolver suas diferenças. Fontes oficiais de ambos os países disseram na quarta-feira à AFP que estão trabalhando em uma possível reunião entre os dois na cúpula da Asean.
- Crise climática -
O presidente brasileiro também agradeceu ao apoio da Indonésia na organização da conferência climática COP30 da ONU, que será realizada na cidade de Belém do Pará a partir de 10 de novembro.
"Estamos entre os maiores países detentores de floresta tropicais e com maior biodiversidade do mundo. Também somos grandes produtores de biocombustíveis, que terão papel fundamental a desempenhar na transição para economias de baixo carbono. Indonésia e Brasil trabalharão juntos", declarou Lula.
O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Indonésia na América do Sul. O comércio total entre os dois países entre janeiro e agosto alcançou 4,3 bilhões de dólares (23 bilhões de reais), segundo dados do governo indonésio.
L.Adams--AT