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Irã descarta renunciar ao enriquecimento de urânio, mesmo em caso de 'guerra'
O Irã descartou, neste domingo (8), renunciar ao enriquecimento de urânio no âmbito de suas negociações com os Estados Unidos, mesmo em caso de "guerra" com este país, que mantém a pressão militar.
Após uma primeira rodada de negociações em Omã na sexta-feira, a qual ambos classificaram como positiva, os dois países citaram sua vontade de continuar o diálogo.
Mas o Irã mantém-se firme em suas linhas vermelhas, ao aceitar abordar apenas sobre seu programa nuclear, e enfatizando que tem direito de desenvolver energia nuclear para fins civis.
Os Estados Unidos, que mobilizaram uma ampla força militar no Golfo, exigem um acordo mais amplo, que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim de seu apoio a grupos armados hostis a Israel.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que na quarta-feira viajará a Washington para pedir ao presidente americano, Donald Trump, firmeza com Teerã, exige que estes dois aspectos "sejam incluídos em qualquer negociação", informou seu gabinete no sábado.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reafirmou no domingo que Teerã não cederá à exigência de Trump de abrir mão do enriquecimento de urânio, "mesmo se nos impuserem uma guerra", destacou.
Indicou, sem maiores detalhes, que o Irã poderia considerar "uma série de medidas de confiança quanto ao programa nuclear", em troca da suspensão das sanções internacionais que asfixiam a economia iraniana.
Mas depois questionou a "seriedade" dos Estados Unidos para "iniciar negociações reais", durante uma coletiva de imprensa acompanhada pela AFP.
O Irã "avaliará o conjunto de sinais e decidirá sobre a continuidade das negociações", afirmou, declarando que o desdobramento militar americano "não nos intimida".
- Paz por meio da força -
No sábado, o enviado americano, Steve Witkoff, visitou o porta-aviões Abraham Lincoln, destacado no Golfo. Acompanhado pelo almirante Brad Cooper, chefe do Comando Militar dos EUA para o Oriente Médio, e por Jared Kushner, genro de Donald Trump, Witkoff destacou "a mensagem de paz por meio da força" do mandatário republicano.
Nas últimas semanas, Trump multiplicou as ameaças de intervenção militar no Irã, inicialmente em resposta à sangrenta repressão contra o movimento de protestos em janeiro e, depois, para pressionar Teerã com o objetivo de alcançar um acordo.
Após os diálogos de sexta-feira entre Witkoff, Kushner e Araghchi — os primeiros desde os bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas em junho —, o presidente americano celebrou "conversas muito boas" e afirmou que continuariam "no começo da próxima semana".
As negociações "realizadas com o apoio de governos amigos da região constituem um passo à frente", declarou o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, no X neste domingo.
Na véspera, Araghchi disse ter acordado com Washington uma nova rodada de conversas "em breve" e indicou que ainda havia "um longo caminho para estabelecer a confiança", em entrevista à rede Al Jazeera.
Também reiterou que a questão das capacidades balísticas do Irã "nunca será negociável", por se tratar de um assunto de defesa.
- Quase 7.000 mortos -
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega.
O Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações no ano passado, mas esbarraram na questão do enriquecimento de urânio e os diálogos ficaram paralisados devido à guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense contra o território iraniano.
Trump afirmou que os bombardeios americanos realizados durante esse conflito haviam "aniquilado" as capacidades nucleares iranianas, mas a magnitude exata dos danos continua desconhecida.
Após a repressão ao movimento de protestos em janeiro, o presidente republicano voltou a ameaçar com uma intervenção.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, disse ter confirmado 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51.000 detenções.
Em caso de ataque, o Irã advertiu que teria como alvo as bases americanas na região e poderia bloquear o Estreito de Ormuz, ponto de trânsito fundamental para o abastecimento energético mundial.
R.Lee--AT