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Irã ameaça bases militares dos EUA após ataque a instalações nucleares
O Irã ameaçou neste domingo (22) as bases americanas no Oriente Médio em resposta aos bombardeios que, segundo Washington, "devastaram o programa nuclear iraniano", no décimo dia de uma guerra entre a República Islâmica e Israel.
Washington afirma ter como objetivo impedir que Teerã adquira armamento atômico, mas nega que busque a queda do regime dos aiatolás, com o qual está em conflito há quase meio século.
O presidente Donald Trump instou o Irã a encerrar a guerra após lançar bombas "antibunker" contra a usina subterrânea de enriquecimento de urânio em Fordow. Também ordenou ataques às instalações nucleares em Isfahan e Natanz.
"Ontem tivemos um sucesso militar espetacular, tirando a 'bomba' das mãos deles (e a usariam se pudessem!)", escreveu o magnata republicano nas redes sociais.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirma que "o programa nuclear iraniano foi devastado", mas o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine, considera que é "muito cedo" para avaliar com precisão o alcance da operação "Martelo da Meia-Noite".
- Vingança! -
"Vingança, vingança!" gritavam manifestantes com os punhos erguidos enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tentava abrir caminho entre a multidão em uma praça central de Teerã.
Em mensagem difundida pela agência oficial de notícias Irna, Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as bases utilizadas pelas forças americanas serão consideradas "um alvo legítimo".
Os bombardeios no Irã causaram feridos, mas "nenhum" com sinais de "contaminação radioativa", afirmou o Ministério da Saúde da República Islâmica, sem detalhar quantas pessoas foram afetadas.
Apesar do ataque, Trump e seu gabinete repetem que Washington "quer a paz" e recomendam ao Irã que siga por "esse caminho".
"Os americanos precisam receber uma resposta para sua agressão", advertiu desafiadoramente o presidente iraniano.
Na ONU, onde o Conselho de Segurança se reuniu com urgência neste domingo, o Irã acusou os Estados Unidos de terem iniciado uma "guerra" com "pretextos absurdos"
Os Estados Unidos deixaram as portas abertas para a República Islâmica, com quem negociavam um acordo sobre seu programa nuclear antes de Israel lançar sua ofensiva aérea em 13 de junho.
"Não estamos em guerra contra o Irã, estamos em guerra contra o programa nuclear iraniano", declarou à emissora ABC o vice-presidente J.D. Vance.
Declarações que foram repetidas pelo secretário de Estado Marco Rubio.
"Se o que querem são reatores nucleares para ter eletricidade, há muitos outros países no mundo que fazem isso e não precisam enriquecer seu próprio urânio, eles podem fazer isso", declarou Rubio à Fox News.
A resposta não demorou a chegar.
- 'Não resta nada' -
"Embora as instalações nucleares tenham sido destruídas, o jogo não terminou, os materiais enriquecidos, o conhecimento local e a vontade política permanecem", afirmou Ali Shamkhani, outro conselheiro de Khamenei.
Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), declarou perante o Conselho de Segurança da ONU que é possível ver crateras nas instalações de Fordow, mas que ninguém pôde ainda avaliar os danos subterrâneos.
O diplomata argentino acrescentou que os ataques a instalações nucleares poderiam causar vazamento de radiação, mas que a AIEA não detectou nenhum aumento até agora.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, orou por Trump no Muro das Lamentações em Jerusalém.
Na província de Semnan, a leste da capital, Samireh, uma dona de casa de 46 anos, declarou à AFP que está "muito preocupada com as pessoas que vivem próximas" das instalações nucleares.
São horas de tensão. Meios de comunicação iranianos relatam "uma forte explosão" na província de Bushehr, no sul do Irã, que abriga a única usina nuclear do país.
A agência Irna informou sobre o lançamento de 40 mísseis contra Israel. Em Ramat Aviv, um bairro residencial de Tel Aviv, alguns dos edifícios sofreram danos consideráveis pelos mísseis iranianos.
O Exército israelense indicou que seus caças atacaram "dezenas" de posições militares em todo o Irã, incluindo, pela primeira vez, uma instalação de mísseis de longo alcance em Yazd, no centro do país.
Alguns israelenses alimentam a esperança de que o ataque americano seja um ponto de virada na guerra.
"Israel sozinho não poderia parar [a guerra] [...] e levaria mais tempo", comentou à AFP em Jerusalém, Claudio Hazan, um engenheiro de software de 62 anos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, estima, pelo contrário, que os Estados Unidos e Israel decidiram "explodir" as negociações.
Nos últimos dez dias, os bombardeios israelenses atingiram centenas de instalações militares e nucleares iranianas e mataram militares de alto escalão e cientistas envolvidos no programa nuclear.
De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde iraniano, mais de 400 pessoas morreram.
Os ataques de represália iranianos deixaram pelo menos 25 mortos em Israel, segundo as autoridades desse país.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou neste domingo sobre "mais um ciclo de destruição" na região.
bur-lb-jvb-erl/val/mr/mvv/jc/dd/rpr
O.Ortiz--AT