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Bolsas ocidentais temem os efeitos de uma guerra prolongada
Os mercados no Ocidente voltaram à baixa nesta sexta-feira (27), reticentes diante da perspectiva de uma resolução rápida da guerra no Oriente Médio e preocupados por seus efeitos sobre a economia.
"Os investidores estão perdendo confiança na capacidade de Donald Trump para pôr fim à guerra e fechar um acordo com o Irã", ressaltou a analista Kathleen Brooks, da corretora XTB.
"A semana esteve dominada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz", resumiram os analistas da Edmond de Rothschild AM.
O preço do petróleo de tipo Brent, referência mundial da commodity, se consolidou acima dos 110 dólares por barril. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) americano fechou próximo dos 100 dólares, a 99,64.
O aumento dos custos de energia acarreta o risco de inflação e suas consequentes reações em cadeia sobre o consumo, a produção, as taxas de juros, o crescimento e as receitas fiscais.
"Os investidores se deparam com os fatos: o Estreito de Ormuz está efetivamente fechado e não há indícios de uma saída verdadeira para a guerra", indicou Brooks.
Os ministros das Relações Exteriores do G7, reunidos nos arredores de Paris, "reafirmaram a necessidade absoluta de restabelecer de forma permanente a liberdade de navegação gratuita e segura no Estreito de Ormuz".
Cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás transita por esse gargalo, cujo bloqueio fez os preços de energia dispararem nas últimas semanas.
- Trump perde influência? -
Os mercados seguem diante de um fluxo de informações contraditórias após 30 dias de uma guerra que desestabiliza a economia mundial.
"Trump parece estar perdendo sua influência sobre os mercados", destacou Fawad Razaqzada, analista da plataforma de serviços financeiros Forex.com. "Os investidores já não levam suas declarações ao pé da letra. Pelo contrário, começam a ir contra elas, esperando provas concretas antes de reagir."
"Atualmente, é difícil avaliar se a guerra no Irã está realmente se desenvolvendo como Estados Unidos e Israel haviam previsto", opinou Andreas Lipkow, da CMC Markets. "Alguns indícios contradizem esta hipótese, enquanto as declarações da Casa Branca buscam manter a imagem de controle total."
Os mercados europeus, especialmente instáveis esta semana, fecharam em baixa. A Bolsa de Paris caiu 0,87% e a de Frankfurt, 1,38%. Londres, por sua vez, fechou praticamente estável (-0,08%) e Milão recuou 0,74%.
Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em baixa de 1,73%, enquanto o ampliado S&P 500 caiu 1,67%. Contudo, assim como ocorreu ontem, foi o índice Nasdaq, de forte componente tecnológico, que liderou as perdas, com um retrocesso de 2,15%.
Além disso, com o aumento dos preços de energia, "a ameaça inflacionária é bastante real e seu impacto varia consideravelmente de uma economia para a outra", estimou Florian Ielpo, responsável de pesquisa macroeconômica da Lombard Odier AM.
O rendimento dos títulos da dívida pública com vencimento em 10 anos estão subindo. Diante do risco de inflação, que reduz o valor real dos reembolsos futuros, os credores exigem um aumento dos juros para preservar seu rendimento real.
Referência na Europa, a rentabilidade do papel alemão para 10 anos, conhecido como "Bund", ficou em 3,11% nesta sexta, contra 3,07% ontem. Seu equivalente francês apresentava uma rentabilidade de 3,85%, contra 3,80% na quinta-feira.
M.O.Allen--AT