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Trump escala guerra comercial com ameaça de 'tarifas recíprocas' a todos os países
O presidente Donald Trump garantiu, nesta quinta-feira (13), que vai impor "tarifas recíprocas" a aliados e rivais dos Estados Unidos, abrindo uma nova frente que deixa o mundo à beira de uma guerra comercial, mas sem prazos definidos.
"Se nos impuserem uma tarifa ou imposto, vamos impor exatamente o mesmo nível de tarifa ou imposto, simples assim", disse Trump no Salão Oval da Casa Branca, ao assinar um documento com instruções sobre sua política tarifária.
A ideia é nivelar as tarifas alfandegárias, o que representa um duro golpe para alguns países emergentes, como o Brasil ou a Tailândia, que impõem tarifas altas para proteger suas respectivas economias.
O futuro secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse que Trump estará em condições de aplicar seu plano no início de abril.
Nas últimas semanas, anunciou tarifas adicionais de 10% sobre produtos chineses e 25% sobre o alumínio e aço, uma política econômica agressiva, que tem um único objetivo: "Os Estados Unidos em primeiro lugar."
As taxas sobre esses dois metais afetam vários países da América Latina, especialmente Brasil, México e Argentina.
A tarifa de 25% sobre o aço, o alumínio e derivados será imposta sem exceções ou isenções, o que inclui Canadá e México, seus parceiros no acordo de livre-comércio da América do Norte (T-MEC).
Esses dois países também estão sendo testados por algumas semanas em relação a outras tarifas de 25% que lhes serão impostas se não houver um acordo, para pressioná-los a combater a imigração ilegal e o tráfico de fentanil, um opioide sintético que causa estragos nos Estados Unidos.
"De alguma forma, isso obriga todos os países a renegociarem suas tarifas alfandegárias com os Estados Unidos", explicou à AFP Christine McDaniel, pesquisadora do Centro Mercatus.
O governo americano não se contenta com as tarifas. Também visa barreiras não alfandegárias, como as regulações que penalizam produtos americanos ou o imposto sobre o valor agregado (IVA) arrecadado pelos Estados.
- Aliados, os 'piores' -
Os aliados dos Estados Unidos costumam ser "piores do que os nossos inimigos" no nível comercial, ressaltou Trump, destacando que a União Europeia "é brutal".
No memorando, o republicano pede a suas equipes uma revisão completa das disparidades comerciais entre os Estados Unidos e o resto do mundo, a fim de implementar tarifas aduaneiras "recíprocas" e "personalizadas" segundo o país, informou um funcionário da Casa Branca.
Esse trabalho "deverá ser concluído em 1º de abril, o que dará ao presidente a oportunidade de começar a tomar medidas recíprocas em 2 de abril", segundo Howard Lutnick.
"Isso reforça a opinião dos mercados financeiros de que as tarifas são mais uma ferramenta de negociação [para Donald Trump] do que uma política real a se temer", explicou o analista financeiro da ForexLive Adam Button.
Durante sua intervenção, Donald Trump afirmou que a Índia impõe "mais tarifas que qualquer país".
Horas depois, recebeu o primeiro-ministro indiano Narendra Modi na Casa Branca e previu "maravilhosos acordos comerciais" entre ambos.
Nova Délhi fez gestos conciliadores antes da reunião, em particular ao reduzir as tarifas aduaneiras sobre as motocicletas americanas de alto padrão, uma bênção para a fabricante Harley-Davidson
- Olho por olho -
A ideia de Trump é aumentar as tarifas para financiar parcialmente os cortes de impostos e reduzir o crescente déficit comercial, mas também como um meio de pressão, e o faz aplicando o "olho por olho, dente por dente".
"É possível que, no fim, vejamos países tentando se desligar do mercado americano", diz o economista Maurice Obstfeld.
Analistas também preveem preços mais altos para os americanos, já que as tarifas são pagas pelos importadores e costumam ser repassadas aos consumidores.
O presidente republicano reconheceu nesta quinta que "os preços poderiam subir", mas espera que caiam com o tempo.
Um fator a ser levado em conta é que especialistas atribuem em boa parte a vitória eleitoral de Trump à insatisfação da opinião pública com a inflação.
P.A.Mendoza--AT