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Irã afirma que apreendeu dois navios no Estreito de Ormuz
O Irã afirmou, nesta quarta-feira (22), que suas forças navais interceptaram dois navios porta-contêineres que tentavam atravessar o estratégico Estreito de Ormuz, apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo, para dar mais tempo às negociações de paz.
Um segundo ciclo de negociações entre EUA e Irã pode ser realizado nos próximos três dias, informou o jornal The New York Post, citando fontes paquistanesas anônimas e o presidente americano.
"É possível!", respondeu Trump ao jornal por mensagem de texto quando questionado sobre as fontes no Paquistão que afirmavam que uma segunda rodada de diálogo em Islamabad é esperada nos próximos dois ou três dias.
No entanto, dois organismos de monitoramento da segurança marítima com sede no Reino Unido confirmaram que três navios comerciais relataram incidentes com lanchas de patrulha na passagem estratégica, cujo controle é disputado pelas forças americanas e iranianas.
"A força naval do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve esta manhã, no Estreito de Ormuz, dois navios infratores", afirmou o exército ideológico iraniano em um comunicado, acrescentando que eles "foram apreendidos (...) e conduzidos para a costa iraniana".
As autoridades do Irã identificaram um navio como "MSC-FRANCESCA", que disseram pertencer "ao regime sionista", em referência a Israel, e o outro como "EPAMINONDAS".
O site de rastreamento Marine Traffic informou que as últimas posições conhecidas dos dois navios estavam próximas da costa iraniana do Estreito de Ormuz, ao nordeste de Omã.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou anteriormente que uma lancha iraniana havia atingido um navio porta-contêineres perto da costa de Omã, e que um cargueiro que deixava o Irã foi imobilizado por disparos.
A empresa de segurança britânica Vanguard Tech identificou este último como o porta-contêineres Euphoria, de bandeira do Panamá, e afirmou que "atravessava o Estreito de Ormuz em direção ao exterior".
Os Estados Unidos tentam bloquear embarcações que se dirigem para e que tentam sair dos portos iranianos, enquanto Teerã afirma que os navios devem solicitar permissão para sair ou entrar no Golfo pelo Estreito de Ormuz, uma rota pela qual, em período de paz, transita 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.
- Missão para o Estreito de Ormuz -
Trump havia anunciado a extensão da trégua após um pedido do Paquistão e destacou a necessidade de permitir ao "fragmentado" governo iraniano que elabore uma proposta para pôr fim ao conflito.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, uma rodada de negociações aconteceu em Islamabad, mas terminou sem resultados. O Paquistão, país mediador, tenta organizar outro ciclo de conversações para acabar com um conflito que matou milhares de civis, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.
O futuro das negociações de paz segue incerto.
Um funcionário da Casa Branca confirmou que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, não viajaria à capital paquistanesa para uma nova rodada de negociações, como estava inicialmente previsto.
Por sua vez, o Irã nunca anunciou se havia decidido enviar uma delegação.
Apesar da prorrogação do cessar-fogo, Trump insistiu que os Estados Unidos continuariam bloqueando os portos iranianos.
O Reino Unido e outros aliados dos Estados Unidos já comunicaram ao governo americano que não adeririam a nenhuma iniciativa militar destinada a reabrir à força o Estreito de Ormuz.
No entanto, o Ministério da Defesa britânico anunciou que receberá, a partir desta quarta-feira, militares de cerca de 30 países para discutir, durante dois dias, a formação de uma missão liderada em conjunto com a França, para proteger a navegação nesta passagem.
- Três mortos no Líbano -
Na outra frente de batalha da guerra, três pessoas morreram e outras duas ficaram feridas nesta quarta-feira em ataques israelenses, apesar do cessar-fogo de dez dias, segundo a agência de notícias estatal libanesa.
Além disso, um militar francês morreu em decorrência de ferimentos sofridos na mesma "emboscada" na qual um capacete azul do mesmo país faleceu no último sábado, anunciou o presidente Emmanuel Macron, que atribuiu o ataque ao movimento libanês pró‑iraniano Hezbollah.
Novas negociações diretas entre Israel e Líbano devem acontecer na quinta-feira em Washington, depois de um primeiro encontro em 14 de abril.
Uma fonte oficial afirmou à AFP que o Líbano solicitará, na capital americana, "a prorrogação da trégua por um mês, o estrito respeito ao cessar-fogo e o fim, por parte de Israel, das operações de detonação e destruição nas zonas onde está presente".
Segundo um balanço oficial divulgado na terça-feira, mais de 2.400 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.
burs-bar-vla/cjc-arm-ahg/pb/erl/fp/yr/aa
W.Stewart--AT