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Arce ignora Morales e diz que luta pela Presidência da Bolívia será com a direita
A Bolívia entra em um ano eleitoral, no qual a esquerda governista disputará a Presidência com “uma direita e uma ultradireita”, que pretendem privatizar e “arrancar” benefícios dos trabalhadores, disse o presidente Luis Arce nesta quarta-feira (22), por ocasião do 16º aniversário da Constituição.
Durante a cerimônia pública na sede presidencial, Acre não se referiu à sua provável candidatura à reeleição, que é apoiada por um setor do Movimento ao Socialismo (MAS) que se opõe à ala que apoia o ex-presidente Evo Morales, ex-chefe e antigo aliado do governo.
Sem mencionar sua amarga disputa com Morales, o chefe de Estado de 61 anos antecipou que a luta pelo poder será entre a esquerda que ele representa e a oposição de direita.
"É importante que o povo boliviano identifique que nas próximas eleições presidenciais encontraremos duas visões do país, incompatíveis uma com a outra”, disse Arce.
Ele acrescentou, ainda, que "a oposição da direita e da ultradireita propõe a privatização das empresas estatais e a retirada dos benefícios conquistados pelos trabalhadores nos últimos anos, retornando ao neoliberalismo em sua nova versão”.
As duas facções do MAS são a força dominante, com controle do Executivo e do Legislativo.
Morales, de 65 anos, que governou o país entre 2006 e 2019, voltou a criticar o governo pela escassez de dólares e combustíveis no aniversário da Constituição, que declarou a Bolívia um estado plurinacional e que ele e Arce promoveram.
"Não há o que comemorar (...) Neste momento, estamos pior que em 2005", disse em entrevista para a rádio Kawsachun Coca.
Apesar do fato de os tribunais terem fechado a porta para uma nova candidatura presidencial, Morales insiste que voltará a disputar a eleição. O ex-presidente está preso pelo suposto tráfico de uma menor durante seu mandato.
Y.Baker--AT