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Irã se blinda para a despedida de Ali Khamenei, o líder supremo morto no início da guerra
Teerã foi transformada em uma fortaleza para a realização, a partir de sábado (4), de um funeral de uma magnitude sem precedentes para o antigo líder supremo Ali Khamenei, quatro meses após sua morte nos ataques israelenses e americanos que desencadearam a guerra.
Khamenei, o guia supremo com mais tempo no poder desde o estabelecimento, em 1979, da República Islâmica, morreu aos 86 anos sob os bombardeios de seus dois inimigos jurados contra sua residência, em 28 de fevereiro.
As autoridades esperam entre 15 e 20 milhões de participantes só na capital iraniana para esta homenagem de três dias, que pretende ser uma demonstração de força após o conflito de quase 40 dias com os Estados Unidos e Israel, que já custou a vida a muitos altos dirigentes e milhares de civis.
A presença do filho de Ali Khamenei, Mojtaba, que o sucedeu no início de março como líder supremo, não foi confirmada. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, ele se manifesta apenas por meio de mensagens escritas e não aparece em público.
Na capital, na entrada da mesquita onde será exposto o caixão do falecido aiatolá, trabalhadores fazem os últimos preparativos sob um calor intenso, constatou uma equipe da AFP que teve acesso excepcional ao local.
“As pessoas virão de todo o Irã. Vai ter muita gente”, comentou em voz baixa Hosein Moghadassi, um funcionário de 43 anos. Espera-se que alguns comecem a fazer fila desde a noite de sexta-feira, aguardando a abertura dos portões às 6h de sábado (23h30 de sexta no horário de Brasília).
Este vasto complexo de Mosalla, concebido para acolher as grandes orações de sexta-feira, comemorações oficiais e concentrações religiosas, permanecerá aberto dia e noite até segunda-feira.
Em seguida, um cortejo que transportará o caixão de Khamenei desfilará pelas ruas de Teerã, antes de seguir na terça para a cidade sagrada de Qom.
Quanto aos dignitários, é esperada a presença de governantes e autoridades de cerca de 30 países, principalmente vizinhos, entre eles o ex-presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro paquistanês Shebaz Sharif. A China estará representada por um alto responsável do Parlamento, He Wei. Nenhum líder europeu foi convidado.
- Funeral de Estado -
O funeral de Estado para Khamenei, inicialmente previsto para março, mas adiado devido à guerra, se desenha como o maior da história do Irã.
Em 1989, quando morreu seu predecessor, o fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, cerca de 10 milhões de pessoas estiveram em sua cerimônia fúnebre, segundo os números oficiais. Na ocasião, avalanches humanas causaram mais de dez mortes.
Ao lado do caixão de Khamenei também serão expostos os de seus familiares que morreram com ele no primeiro dia da guerra, entre eles o de uma de suas filhas, um genro, uma nora e uma neta.
Uma imagem do líder com o punho erguido, símbolo da resistência que ele reivindicava frente ao Ocidente, está onipresente no recinto, constatou um jornalista da AFP.
“Teu nome permanecerá eterno nesta terra de ouro”, proclama uma faixa, enquanto nas ruas de Teerã inúmeros painéis publicitários e faixas prestam homenagem ao “mártir”.
- Fortaleza -
O funeral é realizado em um clima de tensão, no contexto de um frágil cessar-fogo entre Teerã e Washington, mas também seis meses após importantes manifestações contra o alto custo de vida e o governo.
A capital iraniana já foi transformada desde esta quinta-feira em uma fortaleza, com abundantes forças de segurança e um enorme perímetro inacessível de carro.
O aeroporto de Teerã está parcialmente fechado e ficará totalmente fechado na segunda-feira, declarada feriado em todo o país. Os centros comerciais baixaram as portas e as empresas foram obrigadas a interromper suas atividades.
Ali Khamenei será enterrado em 9 de julho na cidade sagrada de Meshed, no nordeste do Irã, onde nasceu. Como líder religioso, seu caixão fará escala na quarta-feira no vizinho Iraque, onde a comunidade xiita também é majoritária.
R.Garcia--AT