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Ucrânia reivindica avanços frente a tropas russas perto de Bakhmut
A Ucrânia reivindicou, nesta terça-feira (16), avanços territoriais frente às tropas russas perto da cidade devastada de Bakhmut, onde se concentram os combates no leste do país, embora tenha reconhecido que as forças de Moscou progrediam dentro da cidade.
A Ucrânia, que prepara uma contraofensiva para recuperar territórios conquistados pela Rússia, obteve um apoio importante de uma reunião de cúpula pan-europeia na Islândia, onde surgiu a perspectiva de entregar à ex-república soviética os aviões de combate que ela reivindica para enfrentar a invasão.
O Conselho da Europa, formado por 46 países, concordou em criar um "registro de danos" causados pela invasão russa, um inventário que poderia criar as bases para processar os atuais líderes russos.
Paralelamente a esta reunião de cúpula, a quarta do Conselho da Europa em seus 75 anos de existência, o Reino Unido e a Holanda se comprometeram a formar uma "coalizão internacional" para entregar os caças F-16 que a Ucrânia reivindica para resistir à invasão russa.
"O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, concordaram em trabalhar para formar uma coalizão internacional que ofereça à Ucrânia capacidades aéreas de combate, apoiando com tudo, desde o treinamento até a aquisição de aviões F16", informou um porta-voz de Sunak.
- Batalha de Bakhmut -
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, expressou otimismo em relação à formação da "coalizão dos aviões" e à guerra de seu país com a Rússia.
O grupo paramilitar russo Wagner controla mais de 90% de Bakhmut, mas não consegue tomar totalmente a cidade, onde se trava a mais longa e sangrenta batalha desta guerra.
A Ucrânia anunciou hoje que suas tropas libertaram, nos últimos dias, 20 km² ao norte e ao sul da periferia de Bakhmut. Dentro da cidade, no entanto, as tropas russas continuavam avançando e causando destruição com artilharia, informou a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar.
- Mísseis derrubados -
A Ucrânia afirmou que derrubou, na madrugada de hoje, seis mísseis hipersônicos russos Kinzhal, difíceis de interceptar, e outros 12 artefatos, entre eles mísseis de cruzeiro Kalibir e drones de fabricação iraniana.
O míssil Kinzhal ("Punhal", em russo) é uma das armas que Vladimir Putin considera "invencíveis", porque afirma que sua velocidade hipersônica lhe permite desafiar a maioria dos sistemas de defesa antiaérea.
O Exército russo afirmou que destruiu um sistema Patriot americano em Kiev e interceptou sete mísseis Storm Shadow britânicos de longo alcance, cuja entrega foi anunciada na semana passada por Londres.
Jornalistas da AFP em Kiev observaram a ativação da defesa antiaérea da Ucrânia durante a noite.
- Enviado chinês -
Os bombardeios russos ocorreram antes de uma visita de dois dias de um enviado da China a Kiev. Li Hui, representante especial para Assuntos Euro-Asiáticos e ex-embaixador chinês em Moscou, deve discutir uma "solução política" para o conflito ucraniano.
Segundo uma fonte do governo da Ucrânia, o enviado chinês vai se reunir com o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, e com outros funcionários do alto escalão. Também deve visitar a Rússia, além de Polônia, França e Alemanha
A China, aliada de Moscou, nunca condenou publicamente a invasão russa da Ucrânia e propôs apenas um plano de 12 pontos para encerrar a guerra, visto com ceticismo pelo Ocidente.
O presidente Zelensky retornou ontem a Kiev, após um giro europeu que o levou a Itália, Vaticano, Alemanha, França e Reino Unido. "Voltando para casa com armas novas e potentes para a frente de batalha", declarou ele em um vídeo, após conseguir novas promessas de ajuda.
O presidente ucraniano obteve do Reino Unido drones de ataque de longo alcance e mísseis antiaéreos. Também se mostrou "muito otimista" quanto à possível entrega de aviões de combate ocidentais.
A.Ruiz--AT