Arizona Tribune - Copa do Mundo da América do Norte terá sua Finalíssima

Copa do Mundo da América do Norte terá sua Finalíssima
Copa do Mundo da América do Norte terá sua Finalíssima / foto: ROBERTO SCHMIDT - AFP

Copa do Mundo da América do Norte terá sua Finalíssima

Quatro meses depois do previsto, Espanha e Argentina, campeãs da Eurocopa e da Copa América, disputarão uma Finalíssima no domingo (19) em Nova Jersey, e o prêmio para a vencedora será muito mais do que um título honroso Copa do Mundo.

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As seleções tinham um confronto previsto para março no Catar, para definir a melhor equipe do mundo, mas a guerra no Oriente Médio o impediu. Por fim, o encontro ocorrerá no Mundial da América do Norte de 2026.

A Argentina, em outro exercício de sofrimento máximo e resiliência, virou a partida contra a Inglaterra para 2-1 na quarta-feira, em Atlanta, e garantiu vaga na final contra a Espanha, que na terça-feira venceu com autoridade a França, grande favorita antes do torneio, por 2 a 0.

Esta será a sétima final de uma Copa do Mundo para a Argentina, que busca sua quarta estrela (1978, 1986 e 2022), e que poderá se tornar a primeira seleção a vencer duas edições do torneio seguidas, desde a Seleção Brasileira de Pelé em 1958 e 1962.

A Espanha, por sua vez, disputará pela segunda vez uma final do Mundial. A primeira foi na África do Sul em 2010, quando conquistou o torneio com o memorável gol de Andrés Iniesta na prorrogação contra os Países Baixos.

A 'Albiceleste' defenderá a coroa conquistada há quatro anos no Catar contra a 'Roja' em uma final inédita no MetLife Stadium, em East Rutherford, onde se espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entregue o troféu após cinco semanas de competição.

Por ironia do destino, em tempos de repressão contra a imigração irregular por parte do governo americano, a Copa do Mundo da América do Norte terá duas seleções hispânicas na final.

Na história quase centenária do torneio, esta circunstância só ocorreu uma vez, na primeira edição, em 1930, na qual o anfitrião Uruguai derrotou sua vizinha Argentina por 4 a 2.

Desde o início da fase de mata-mata, o time comandado por Lionel Scaloni fez do sofrimento uma virtude e da confiança em si mesmo uma força inabalável.

A Argentina precisou da prorrogação para vencer Cabo Verde por 3 a 2 nos 16-avos de final, virou para 3 a 2, a partir do minuto 79, um jogo que perdia por 2 a 0 contra o Egito nas oitavas e voltou a precisar de tempo extra para superar a Suíça por 3 a 1 nas quartas. Diante da Inglaterra, assinou outra virada agonizante.

- Aura de campeão -

Anthony Gordon colocou os ingleses na frente aos 55 minutos, mas Lionel Messi e companhia operaram novamente um milagre em apenas sete minutos: primeiro com um chute de fora da área de Enzo Fernández (85') e depois com uma cabeçada de Lautaro Martínez nos acréscimos (90+2').

O camisa 10 voltou a ser decisivo. Desta vez não marcou, mas deu as duas assistências nos gols argentinos. No domingo, igualará o brasileiro Cafu como os únicos jogadores da história a terem disputado três finais de Copa do Mundo.

A vitória reuniu milhares de pessoas no Obelisco de Buenos Aires, ponto de encontro dos torcedores argentinos, que celebraram muito mais do que um triunfo.

Argentina e Inglaterra demonstraram novamente que sua rivalidade vai além dos gramados. A inimizade teve seus ápices na Guerra das Malvinas em 1982 e nas quartas de final do México 1986, em que Diego Maradona patenteou a 'Mão de Deus' e o 'Gol do Século' para eliminar os ingleses por 2 a 1.

Na América do Norte, a inimizade seguiu muito viva mais de 40 anos depois. Nenhum dos dois hinos pôde ser ouvido: argentinos cantaram em coro por cima do hino inglês, enquanto os torcedores dos 'Three Lions' vaiaram a música na vez de seus adversários.

Após o apito final, os jogadores da 'Albiceleste' exibiram uma faixa com a inscrição "Las Malvinas son argentinas" (As Malvinas são argentinas).

Mas a equipe sul-americana deverá deixar para trás as emoções vividas em Atlanta para pensar imediatamente na final de domingo contra a Espanha.

"Vamos tentar ganhar, vamos dar tudo, mas depois disso é muito difícil", disse Scaloni, que terá no banco rival Luis de la Fuente, que foi seu professor no curso de treinadores.

"Eu adoraria jogar contra a Argentina pela amizade que tenho com o Scaloni", admitiu o espanhol após a vitória sobre a França. "Estou muito feliz por ele, ele merece", respondeu o argentino.

Outro aceno do destino: aquele que certamente será o último jogo de Messi em uma Copa do Mundo será contra a Espanha, país que o viu crescer e desfrutou de seu futebol durante quase duas décadas. Do outro lado estará Lamine Yamal, herdeiro da camisa 10 do Barcelona e um dos grandes nomes para a próxima década do futebol.

M.Robinson--AT