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Burnham pressionado a garantir paridade de gênero em seu futuro governo trabalhista
O futuro primeiro-ministro trabalhista britânico, Andy Burnham, está sendo pressionado por suas deputadas a garantir paridade entre homens e mulheres em seu governo e combater a "misoginia" que, segundo denunciam, existe dentro do partido.
Em seus 126 anos de história, o Partido Trabalhista nunca elegeu uma mulher como líder, ao contrário dos conservadores, que já tiveram quatro dirigentes mulheres: Margaret Thatcher, Theresa May, Liz Truss e a atual, Kemi Badenoch.
O governo do primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, não é paritário, embora várias mulheres ocupem cargos de primeira linha, como Shabana Mahmood, no Ministério do Interior, e Yvette Cooper, nas Relações Exteriores. Além disso, Rachel Reeves é a primeira mulher à frente das Finanças.
As especulações sobre a futura equipe de Andy Burnham, que sucederá Keir Starmer na sexta-feira (17) à frente do Partido Trabalhista e na segunda-feira em Downing Street, estão em alta.
Para a deputada Polly Billington, algo está claro. "Precisamos de menos homens, homens, homens, e de mais diversidade", declarou à emissora LBC.
Billington também manifestou seu incômodo com os rumores de que Andy Burnham estaria disposto a trazer de volta ao primeiro plano da política britânica o ex-ministro das Relações Exteriores David Miliband, radicado em Nova York desde 2013.
"Não vou fazer campanha para reunir de novo o clube de futebol Demon Eyes", comentou, em referência ao time em que Burnham e Miliband jogaram quando estavam na casa dos trinta anos, junto com outros trabalhistas, na época de Tony Blair, no final da década de 1990.
- Plena paridade -
Entre os antigos integrantes daquela equipe está também James Purnell, que foi ministro do Trabalho e Previdência no governo de Gordon Brown e que Andy Burnham estaria considerando nomear chefe de gabinete, ou seja, seu principal assessor e coordenador.
Também é mencionado o possível retorno de Ed Balls, que foi secretário de Estado para a Infância, Escolas e Famílias no governo de Brown.
O Women's Parliamentary Labour Party (WPLP), que representa as deputadas trabalhistas, pediu ao futuro ocupante de Downing Street que se comprometa a formar um governo com plena paridade entre homens e mulheres. O grupo reivindica ainda que o cargo de vice-primeiro-ministro seja ocupado por uma mulher.
"Pedimos que demonstre essa mudança desde o primeiro dia e que enfrente a toxicidade e a misoginia dentro do nosso próprio partido e do nosso governo", escrevem as deputadas em uma carta à qual a BBC teve acesso. A carta foi entregue a Andy Burnham durante uma reunião com esse grupo no fim de junho.
A mensagem é que as mulheres "devem dispor de poder real", insistiu, em declarações ao canal LBC, Jess Philips, que foi subsecretária de Estado para a Proteção e o Combate à Violência contra Mulheres e Meninas. "Dar um cargo a alguém (...) e depois ignorá-la quando toma a palavra não funciona", acrescentou.
- "Clube do Bolinha" -
A número dois do partido, Lucy Powell, afirmou ao jornal The Guardian ter testemunhado em Downing Street "informações vazadas de forma hostil" dirigidas contra várias ministras.
Na sua opinião, essas práticas demonstram a existência de um verdadeiro "clube do Bolinha" (boys club) dentro do governo.
Segundo vários meios de comunicação, Andy Burnham comprometeu-se a pôr fim a esses vazamentos, prometendo que seus autores seriam "expulsos".
A representação feminina no Parlamento britânico aumentou de forma notável nos últimos trinta anos. Até 1997, as mulheres nunca ultrapassavam 10% do total de deputados de todos os partidos. Em março de 2026 já eram 266 dos 650 parlamentares.
No Partido Trabalhista, 186 de seus 403 deputados são mulheres, ou seja, 46% do grupo parlamentar. No entanto, persiste a sensação de que elas continuam afastadas dos verdadeiros centros de poder.
Para Sarah Childs, catedrática de Política e Gênero da Universidade de Edimburgo, "existe uma possibilidade de mudança porque o novo primeiro-ministro é ele próprio crítico de determinadas práticas em Westminster", o coração do poder político britânico.
R.Lee--AT