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Israel ocupa centro de formação da ONU para palestinos em Jerusalém oriental
As forças israelenses tomaram o controle, nesta terça-feira (25), de um centro de formação profissional administrado pela Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém oriental, um novo embate para esta organização vetada por Israel.
Em janeiro de 2025, Israel aprovou uma lei que rompe os vínculos com esta agência e proíbe seu funcionamento em território israelense.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a incursão das forças israelenses e destacou que isto "privará os jovens da educação profissional que estavam recebendo", declarou seu porta-voz, Stéphane Dujarric.
O porta-voz afirmou, ainda, que o centro de formação "e outras instalações da UNRWA" são de propriedade das Nações Unidas.
"Estas são invioláveis e imunes a qualquer forma de ingerência", acrescentou.
O centro de formação de Qalandia está situado entre o bairro de Kafr Aqab, em Jerusalém Oriental, e o campo de refugiados de Qalandia. Foi fundado em 1952 e a cada ano oferece formação profissional para cerca de 340 palestinos da Cisjordânia ocupada, segundo a UNRWA.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, em nota, que, de acordo com a lei, deu a diretriz para começar a evacuação do centro.
"O Estado de Israel não permitirá que uma organização cujos funcionários tenham estado envolvidos em atos terroristas e no massacre de 7 de outubro opere em seu território e agirá contra ela com todos os meios ao seu alcance", declarou.
Em várias ocasiões, Israel acusou a UNRWA de ser uma fachada para milicianos do Hamas, e afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque do movimento islamista palestino em território israelense em 7 de outubro de 2023.
Várias investigações, inclusive uma chefiada pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, encontraram alguns "problemas relacionados com a neutralidade" na UNRWA, mas destacaram que Israel não forneceu provas conclusivas.
O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, afirmou que seu gabinete enviou, nesta terça-feira, uma carta a Guterres indicando que a UNRWA não tinha direitos de propriedade sobre o local.
A UNRWA destacou que as forças israelenses "entraram à força" no centro de formação por volta das 10h locais (03h de Brasília), com pelo menos quatro veículos blindados que adentraram as instalações, acompanhados de mais de 50 efetivos.
A agência afirmou que nesse momento havia 20 membros de seu pessoal no local e condenou a invasão.
"A entrada de forças de segurança armadas em uma instalação das Nações Unidas, sem autorização, nem o consentimento das Nações Unidas, é inaceitável", declarou a agência.
Israel ocupou e anexou Jerusalém oriental em 1967, uma ação que não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional.
vid-if-ha-acc/smw/jfx/an/hgs/mvv/am
K.Hill--AT