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Opositor indiano é detido após pedir renúncia do premier em protesto
A polícia da Índia prendeu nesta terça-feira (21) o líder opositor Rahul Gandhi, após ele pedir, durante protestos em Nova Délhi, a renúncia do primeiro-ministro.
A capital indiana teve o segundo dia de manifestações lideradas pelo movimento das "baratas", que exige mudanças no sistema de ensino e a renúncia do ministro da Educação, após escândalos envolvendo a realização de provas. Milhares de pessoas foram às ruas, e as passeatas resultaram em confrontos violentos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e cassetetes.
Na manifestação de ontem, uma das mais importantes desde que Modi chegou ao poder em 2014, 180 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia. Os responsáveis pelas manifestações informaram que centenas de pessoas ficaram feridas e que o número de vítimas estava sendo apurado.
Antes de organizar uma manifestação em frente à residência do primeiro-ministro, Gandhi disse hoje que Modi deveria renunciar, "por destruir o futuro da juventude indiana".
"O governo não quer assumir nenhuma responsabilidade, tampouco debater o assunto no Parlamento", ressaltou o político, que é líder da oposição na Câmara baixa. Modi não se pronunciou sobre os protestos.
A AFP registrou imagens de Gandhi e outros políticos sendo forçados pela polícia a entrar em um ônibus e deixar a área.
- 'Dia vergonhoso' -
Centenas de manifestantes continuavam acampados nesta terça-feira no local da concentração. Muitos deles exigiam uma reforma profunda do sistema de ensino e dos exames.
O fundador do movimento das baratas (ou Cockroach Janta Party - CJP), Abhijeet Dipke, incentivou os participantes a não "perder a esperança". "Eles querem nos desmoralizar", afirmou, em um caminhão. "Não deixem que calem nossa voz."
Desde que foi lançado, em maio, o CJP ganhou milhões de seguidores nas redes sociais, alimentando um dos maiores desafios para Modi desde que ele conquistou seu terceiro mandato, em 2024.
Apesar do rápido crescimento econômico da Índia, milhões de habitantes do país mais populoso do mundo têm dificuldades para conseguir um emprego estável e bem remunerado, o que alimenta o descontentamento da juventude.
O ministro de Assuntos Parlamentares, Kiren Rijiju, discursou nesta terça-feira na Câmara Baixa para defender o governo, assegurando que reagiu rapidamente às irregularidades nos exames ao ordenar a prisão de várias pessoas.
Rijiju acrescentou que, durante uma reunião a portas fechadas nesta terça-feira com os aliados da coalizão governista, Modi pediu que fosse estabelecido um "mecanismo infalível" para evitar qualquer nova irregularidade.
D.Lopez--AT