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Trump diz ao Irã que 'é melhor ficarem espertos logo' e aceitarem acordo nuclear
O presidente americano, Donald Trump, alertou o Irã, nesta quarta-feira (29), que "é melhor ficarem espertos logo!" e ceder sobre seu programa nuclear para pôr fim a dois meses de guerra no Oriente Médio.
O conflito bélico, desencadeado em 28 de fevereiro por um ataque israelense-americano contra Teerã, causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e suas repercussões continuam abalando a economia mundial.
Os temores de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica para o comércio de hidrocarbonetos e fertilizantes, provocaram um novo aumento dos preços do petróleo.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte chegou a 117 dólares, seu nível mais alto desde a entrada em vigor de um cessar-fogo, em 8 de abril.
Segundo um alto funcionário da Casa Branca, Trump mencionou a possibilidade de que o bloqueio naval dos portos iranianos seja prolongado "durante meses, se for necessário", em um encontro com empresários do setor do petróleo.
Nestas condições, analistas temem que Teerã mantenha o bloqueio do Estreito de Ormuz.
"Isto sugere uma estagnação prolongada: os combates foram detidos em grande medida, mas não surge nenhuma solução duradoura, e o tráfego no Estreito de Ormuz segue incerto", explicam Helge André Martinsen e Tobias Ingebrigtsen, da DNB.
O aumento dos preços da energia ameaça mergulhar mais de 30 milhões de pessoas na pobreza em todo o mundo, advertiu, nesta quarta-feira, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em declarações à AFP.
- "Sem esperança" -
As consequências econômicas são sentidas no Irã, onde o rial, a moeda nacional, atingiu, nesta quarta-feira, seu menor nível perante o dólar desde a criação da República Islâmica, em 1979, segundo vários sites de acompanhamento das taxas de câmbio.
Alguns moradores da capital, Teerã, estão pessimistas.
"Vão negociar e voltam com ainda mais sanções, e os diálogos sempre giram em torno do tema nuclear: nunca se fala das pessoas, da economia ou da liberdade", acrescenta, em alusão ao seu país, submetido a sanções internacionais há décadas.
Embora a trégua tenha se prolongado por tempo indeterminado, o Irã e os Estados Unidos seguem sem alcançar um acordo para realizar novas negociações no Paquistão, país mediador, após uma primeira sessão infrutífera em 11 de abril.
"O Irã não consegue se organizar. Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos logo!", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social, em uma postagem acompanhada de uma imagem criada artificialmente na qual aparece com óculos escuros, segurando um fuzil e a mensagem: "Acabou o Sr. Bonzinho".
Os Estados Unidos se mostram céticos diante de uma nova proposta de Teerã para desbloquear o Estreito de Ormuz.
- "Mais riscos" -
Segundo um artigo publicado no site americano Axios e reproduzido pela agência oficial iraniana IRNA, a proposta de Teerã adiaria as negociações sobre a questão nuclear.
Mas este é um tema fundamental para os Estados Unidos e Israel, que acusam a República Islâmica de querer obter a bomba atômica, o que Teerã nega.
Segundo o The Wall Street Journal (WSJ), o presidente americano considera que, mediante seu bloqueio, pode obrigar Teerã a suspender o enriquecimento de urânio durante 20 anos e, posteriormente, a aceitar restrições estritas.
Ele considera "que suas outras opções, retomar os bombardeios ou se retirar do conflito, acarretam mais riscos que a manutenção do bloqueio", segundo funcionários americanos citados pelo WSJ.
O Irã, por sua vez, critica as exigências "irracionais" de Washington e reafirma seu direito inalienável à energia nuclear civil, apesar de considerar "negociável" o nível de enriquecimento de urânio.
- Hegseth comparece no Congresso -
No front libanês, onde Israel combate o movimento pró-iraniano Hezbollah, duas pessoas, entre elas um militar, morreram nesta quarta-feira em um novo ataque israelense no sul do país, segundo o exército libanês.
O presidente libanês, Joseph Aoun, instou Israel a "aplicar plenamente" o cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril antes de iniciar negociações diretas.
Em um Líbano mergulhado há anos em uma grave crise econômica, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) advertiu que 1,2 milhão de pessoas (de uma população entre 4 e 5 milhões) estão ameaçadas pela insegurança alimentar aguda.
Nos Estados Unidos, o ministro da Defesa americano, Pete Hegseth, começou a dar explicações sobre a gestão da guerra no Irã durante seu primeiro comparecimento perante o Congresso desde o início do conflito.
burx-vl/anb/erl/ahg/mvv/aa
N.Walker--AT