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'É melhor ficarem espertos!', adverte Trump ao Irã diante de impasse nas negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instou nesta quarta-feira (29) o Irã a "ficar esperto" diante do impasse nas negociações para pôr fim a dois meses de guerra, cujo principal obstáculo é o espinhoso programa nuclear de Teerã.
Várias rodadas de diálogo entre Washington e Teerã para encerrar esse conflito, que abalou a economia mundial, não geraram resultados, o que começa a frustrar o magnata republicano em meio a um frágil cessar-fogo em vigor entre as partes.
"O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. melhor eles ficarem espertos logo!", escreveu Trump em sua rede Truth Social, ao lado de uma imagem criada artificialmente em que aparece de óculos escuros, com um fuzil e a mensagem: "O Senhor Bonzinho Acabou".
Segundo reportagens da imprensa, o mandatário se mostra cético diante de uma recente proposta do Irã para desbloquear o Estreito de Ormuz, via crucial para o trânsito de hidrocarbonetos.
Ele chegou a ordenar à sua equipe que se prepare para continuar por um período prolongado o cerco que impôs aos portos iranianos.
Trump não acredita que Teerã esteja negociando de boa-fé e confia em poder obrigar a República Islâmica a suspender o enriquecimento de urânio por 20 anos e a aceitar restrições rigorosas a partir de então, afirmaram funcionários sob anonimato citados pelo jornal The Wall Street Journal.
Em uma reunião realizada na segunda-feira na sala de crise da Casa Branca, Trump considerou que tanto retomar os bombardeios quanto retirar-se do conflito eram opções arriscadas demais, diz um artigo do jornal.
Em seu lugar, segundo a reportagem, ele disse a seus assessores que a Marinha continuaria pressionando as principais exportações de petróleo do Irã até que Teerã aceite todas as exigências de Washington, cenário que a República Islâmica já descartou.
Em meio à expectativa quanto ao futuro das negociações, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, fará nesta quarta-feira sua primeira audiência perante o Congresso dos Estados Unidos sobre a guerra no Oriente Médio.
O secretário de Defesa, muito criticado pela oposição democrata pela escassez de informações que lhes foram fornecidas, responderá às perguntas dos membros da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes ao lado de Dan Caine, o chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos.
- "Bons negociadores" -
A última proposta de Teerã, transmitida pelo mediador Paquistão e que Trump e seus assessores analisaram na reunião de segunda‑feira, estabelece linhas vermelhas que incluíam o programa nuclear de Teerã e Ormuz, segundo a agência de notícias Fars. O Irã insiste que seu programa atômico é meramente civil.
O secretário de Estado, Marco Rubio, qualificou essa oferta na terça‑feira como "melhor" do que esperavam, mas questionou se as autoridades por trás dela tinham autoridade, após os assassinatos de várias lideranças da República Islâmica por Israel.
Rubio, em entrevista à Fox News, disse que Washington exige que o Estreito de Ormuz opere como fazia antes da guerra. Por ali passa, em tempos de paz, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em nível mundial.
"Eles são negociadores muito bons", disse Rubio, acrescentando que qualquer acordo final deve ser um "que definitivamente os impeça de partir para uma arma nuclear".
O porta‑voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, advertiu, no entanto, que Washington "deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais".
"Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes", afirmou, segundo a televisão estatal.
- Ataques no Líbano -
Enquanto isso, a violência persiste no Líbano, a outra frente da guerra, apesar de uma trégua recentemente prorrogada na região entre Israel e o Hezbollah, o grupo armado apoiado pelo Irã que arrastou o país para o conflito ao lançar foguetes contra Israel.
Nesta quarta-feira, as forças armadas libanesas relataram dois mortos, um soldado e seu irmão, em novos bombardeios israelenses no sul do país.
Na terça-feira, haviam denunciado o primeiro ataque israelense desde o início do cessar-fogo, com um saldo de dois militares feridos na mesma área. Outras oito pessoas, entre elas três socorristas, também morreram em ataques israelenses, segundo um relatório posterior das autoridades.
O Exército israelense havia advertido os moradores de mais de doze cidades e povoados libaneses que evacuassem imediatamente, alegando que a "violação do cessar-fogo" por parte do Hezbollah o obrigava a agir.
Apesar de ocupar uma faixa de território ao longo da fronteira, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que seu país "não tem ambições territoriais no Líbano".
burs-amj-sct/ane/axn/arm/avl/jc
H.Gonzales--AT