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Medo e ressentimento: a violência contra figuras da IA
Vários defensores da inteligência artificial foram alvo de atos violentos nos últimos dias, reflexo dos temores despertados por essa tecnologia e do crescente ressentimento do público em relação àqueles que a promovem.
O bilionário Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, é um dos casos mais destacados. No dia 10 de abril, alguém lançou um coquetel molotov contra sua residência. As autoridades prenderam Daniel Moreno-Gama, de 20 anos.
Mas a violência vai além da elite do Vale do Silício. Em 6 de abril, a porta da casa de Ron Gibson recebeu 13 tiros depois que esse vereador de Indianapolis manifestou seu apoio à construção de um centro de dados.
Os autores do ataque deixaram um bilhete com o aviso: "Não aos centros de dados".
"A ansiedade diante das tecnologias emergentes não é nada novo", afirmou a pesquisadora Nirit Weiss-Blatt, cujo artigo no Substack, 'AI Panic', trata da crescente hostilidade em relação à inteligência artificial.
"No entanto, com a inteligência artificial, parece algo mais extremo", acrescentou, observando que Moreno-Gama radicalizou suas ideias por meio da "retórica do 'risco existencial da IA' (...). Precisamos manter um debate mais amplo sobre como essa retórica radicaliza as pessoas mais vulneráveis", disse Weiss-Blatt.
"O fato de alguns extremistas justificarem atos violentos é muito preocupante e deve ser condenado com a maior firmeza possível".
Os ataques contra figuras proeminentes da IA não apresentam vínculos comprovados entre si, nem os responsáveis por executá-los pertencem a uma mesma organização.
Mas Mauro Lubrano, professor de Relações Internacionais na Universidade de Bath, afirmou que classificar esses atores como lobos solitários "na realidade não é tão adequado, porque esses grupos estão inseridos em uma espécie de ecossistema digital".
Lubrano relaciona a recente onda de violência aos atos de vandalismo contra veículos e concessionárias da Tesla em 2025, em resposta à colaboração do fundador, Elon Musk, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As notícias recentes sobre atos violentos provocaram um aumento na demanda por proteção física nas empresas de tecnologia.
"Nos últimos meses, sem dúvida observamos um claro aumento", afirmou Rory Moran, responsável pela segurança executiva na United Security, Inc.
"Essas empresas de IA e tecnologia, especialmente as grandes, estão sempre nas notícias e, quando isso acontece... vamos ver um aumento do interesse", acrescentou.
- "A violência não servirá para nada" -
A reação nas redes diante desses ataques tem sido moderada.
Muitos comentários em plataformas como o TikTok minimizaram ou justificaram os ataques, chegando a comparar seus autores a Luigi Mangione, o suspeito de assassinar o diretor-executivo da UnitedHealthcare, Brian Thompson, em 2024.
Mas algumas organizações que defendem limitar a expansão dessa tecnologia, como Pause AI e Stop AI, temem agora ser associadas a esses atos violentos.
Dean Ball, ex-assessor de políticas ligadas à IA do governo Trump, escreveu em uma publicação no X: "A retórica dos defensores de pausar ou interromper" o desenvolvimento e a implantação da IA "está fora de controle e piorou com o tempo".
"Essa retórica sempre teve o potencial de provocar violência e agora parece que isso já não é apenas uma hipótese", acrescentou.
Valerie Sizemore, uma das cofundadoras da Stop AI, disse que Moreno-Gama publicou no servidor de Discord da Stop AI para perguntar se podia falar sobre violência contra os fundadores de empresas de IA.
Os moderadores do servidor disseram a ele que publicar sobre esse tema resultaria em sua expulsão, e ele nunca mais voltou.
"A violência não vai adiantar nada", disse Sizemore. "Eu realmente espero que este seja o momento decisivo que leve todos a ouvir a opinião pública e a tentar manter a conversa que precisamos ter", afirmou.
Th.Gonzalez--AT