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Presidente da Guiana, Irfaan Ali, anuncia reeleição para segundo mandato
O presidente de Guiana, Irfaan Ali, anunciou à AFP na quarta-feira (3) sua vitória nas eleições da última segunda-feira no pequeno país sul-americano, que possui as maiores reservas de petróleo per capita do mundo.
O líder de centro-esquerda, 45 anos, prometeu tirar o país de 850.000 habitantes da pobreza, graças à riqueza petrolífera. Ele também terá que administrar a questão delicada de Esequibo, a região rica em petróleo e minerais que é reivindicada pela vizinha Venezuela.
"Os números são claros. O Partido Progressista do Povo/Cívico (PPP/C) obteve uma vitória esmagadora. Temos uma grande maioria e estamos prontos para fazer o país avançar", disse Ali em uma breve declaração por telefone.
A Comissão Eleitoral (Gecom) ainda não publicou os resultados das eleições de segunda-feira e a apuração dos votos deve começar na manhã desta quinta-feira.
Segundo o Centro Carter e a União Europeia (UE), as eleições gerais da Guiana foram plurais e sem "irregularidades significativas", embora tenham destacado o favorecimento do partido de Ali.
"O presidente e sua administração inauguraram um grande número de projetos públicos, como hospitais, rodovias, delegacias de polícia e serviços de transporte importantes", afirma o relatório preliminar da missão da UE.
Procedente da comunidade muçulmana da população de origem indiana, considerada majoritária no país, Ali derrotou há cinco anos o então presidente David Granger, que buscava um segundo mandato.
As eleições em turno único coroam como presidente o líder do partido mais votado.
A composição exata do Parlamento, que poderia resultar em uma coalizão opositora, deverá aguardar o anúncio dos resultados da Gecom.
Segundo a imprensa local, Azruddin Mohamed, chamado de "Trump guianense", teria ficado em segundo lugar.
Objeto de sanções americanas, Mohamed criou há três meses seu próprio partido, Ganhar/Investimos na Nação (WIN). para disputar as eleições.
O opositor de esquerda Aubrey Norton, da Associação para uma Nova Unidade (APNU), seria o grande perdedor das eleições.
- Um novo "país rico"-
A Guiana tem as maiores reservas de petróleo per capita do mundo. Começou a exploração petrolífera em 2019 e espera alcançar uma produção de um milhão de barris por dia (b/d) em 2030, contra 650.000 b/d atuais.
As receitas petrolíferas permitiram à Guiana quadruplicar em cinco anos o orçamento do Estado (6,7 bilhões de dólares em 2025, o equivalente a R$ 36,5 bilhões na cotação atual), com o maior crescimento econômico da América Latina (43,6% em 2024). As projeções indicam que esse crescimento continuará sendo superior a dois dígitos em 2025.
"Devido à sua nova riqueza (...) o mundo está de olho na Guiana e logo será um país rico. A pergunta é se será um país rico habitado por pessoas pobres ou um país rico baseado em uma democracia que não exclua as pessoas do sistema", destacou Jason Carter, chefe da missão de observação do Centro Carter.
Ali destacou durante a campanha as conquistas de seu governo, financiadas com as novas receitas do petróleo.
"Ainda há muito por fazer", prometeu durante a campanha, enquanto a oposição criticava o elevado custo de vida com uma inflação de 4% e uma riqueza que não beneficia as classes mais pobres.
E.Flores--AT