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Mercosul realiza cúpula com adesão da Bolívia e acordo comercial com Singapura
O Mercosul receberá a Bolívia como membro pleno e assinará um acordo comercial com Singapura, o primeiro com um país asiático, na reunião de cúpula nesta quinta-feira (7) no Rio de Janeiro, com o sabor amargo de não ter fechado as negociações com a União Europeia (UE).
O presidente Lula receberá seus homólogos da Argentina, Paraguai e Uruguai a partir das 11h no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
O encontro coincide com uma escalada de tensão entre Venezuela e Guiana pela disputada região de Essequibo, rica em petróleo, e que levou o Exército brasileiro a reforçar a sua presença militar na fronteira com os dois países vizinhos.
Os chefes de Estado discutirão o futuro de um bloco regional que avançou lentamente no seu objetivo de integração comercial desde a sua criação em 1991, durante a ascensão de governos de ideologia econômica liberal.
Uma novidade será a presença, pela primeira vez como membro pleno, da Bolívia, após uma espera de oito anos pela aprovação dos parlamentos dos demais países.
A adesão da Bolívia cria "um espaço ainda mais significativo de integração regional e de possibilidades de desenvolvimento compartilhado", disse o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, durante uma reunião ministerial do bloco na quarta-feira.
Lula promulgará a adesão da Bolívia ao Mercosul em cerimônia com seu homólogo Luis Arce, uma semana depois de o Senado brasileiro ter aprovado a medida, o último passo para a entrada definitiva do país no bloco regional.
A entrada da Bolívia, país rico em gás e com grandes reservas de lítio, expande as fronteiras geográficas e econômicas do Mercosul, que atualmente compreende 62% da população sul-americana e 67% do seu PIB.
Na cúpula, Lula entregará a presidência do bloco no próximo semestre ao presidente paraguaio, Santiago Peña, que junto com o líder uruguaio, Luis Lacalle Pou, deseja a maior abertura do grupo.
- Primeiro acordo com a Ásia -
Lula esperava fechar, na cúpula do Rio, o acordo de livre comércio com a União Europeia, negociado há mais de duas décadas e que criaria a maior área de livre comércio do planeta.
Mas as insatisfações manifestadas nos últimos dias pela França e pela Argentina, e as acusações mútuas nos bastidores enterraram as expectativas, e o Brasil finalmente se resignou a esperar um entendimento "em um futuro próximo".
No final da cúpula, a UE e o Mercosul publicarão uma declaração conjunta, informou à AFP uma fonte do Itamaraty.
Mas as negociações com Singapura foram bem-sucedidas, com um acordo de livre comércio que será assinado na presença do chanceler de Singapura, Vivian Balakrishnan.
O tratado comercial é o primeiro do bloco sul-americano em 12 anos e o primeiro com um país asiático.
- Mudanças com Milei -
A cúpula será a última do atual presidente da Argentina, Alberto Fernández, três dias antes de entregar o poder ao ultraliberal Javier Milei, uma transição que prevê mudanças no Mercosul.
Milei é muito crítico ao bloco sul-americano, e surgem dúvidas sobre a dinâmica entre ele e Lula, depois que o ultraliberal chamou o presidente brasileiro de "comunista" e "corrupto" durante sua campanha.
"Tanto a chegada de Milei como o fracasso do acordo com a UE levantam dúvidas sobre o futuro do bloco", disse Bruno Binetti, pesquisador da London School of Economics, à AFP.
Segundo o analista, a conjuntura "vai reforçar as vozes que querem renegociar o tratado do Mercosul para permitir negociações unilaterais com terceiros países", como o Uruguai, que mantém negociações comerciais com a China.
R.Chavez--AT