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Resgates na Colômbia entram em 'fase final' após terremoto
Os trabalhos de resgate após o terremoto da última segunda-feira na Colômbia entraram hoje em sua "fase final", na qual os socorristas aceleravam as buscas antes do fim das 72 horas consideradas cruciais para encontrar sobreviventes.
O terremoto de magnitude 7,4 foi o mais letal deste século no país. Populações do Pacífico e da região cafeteira foram as mais afetadas.
Na cidade de Pereira, as equipes se concentraram nas ruínas de uma padaria, sob as quais acredita-se que um vendedor ambulante esteja vivo. Jornalistas da AFP testemunharam o momento em que a vítima pareceu responder aos chamados dos socorristas com batidas ouvidas do fundo dos escombros.
"Disseram que poderia ser ele, estamos aguardando, emocionadas", disse Sara Loaiza, sobrinha do ambulante, ao lado da mãe dele.
O terremoto já deixou 265 mortos, cerca de 3.500 feridos e quase 500 desaparecidos, segundo o último balanço divulgado pelo presidente Abelardo de La Espriella.
"Estamos entrando na fase final", anunciou hoje o prefeito de Cali, Alejandro Eder. "Isso não quer dizer que não vá haver sobreviventes depois, porém é mais difícil."
- Luto e emergência -
Ao cair da noite, equipes de emergência em Pereira e Cali avançavam sobre as ruínas com guindastes e cães, enquanto removiam pedaços de concreto com as mãos. "A cada meia hora, fazemos silêncio para ver se encontramos alguém vivo", contou a voluntária Johana Sánchez, em Cali.
O presidente colombiano decretou três dias de luto e anunciou uma "emergência econômica", medida que lhe permite criar impostos e modificar o orçamento sem passar pelo Congesso. Também anunciou a criação de um fundo com ajuda internacional para atender as vítimas do terremoto. "Esta crise nos pega em uma momento difícil, em meio a uma crise fiscal", ressaltou.
Segundo dados oficiais, mais de 11 mil residências foram destruídas e milhares de famílias ficaram desabrigadas. Muitas delas passaram as últimas noites ao relento, porque suas casas sofreram danos ou por medo de réplicas.
- 'Carne em decomposição' -
A alegria foi enorme quando as equipes de resgate retiraram com vida Daniela Largo, 32, que ficou mais de 35 horas presa nos escombros de um hotel em Pereira.
"Estou feliz, porque, quando já tínhamos procurado tanto e estávamos perdendo a esperança, recebemos uma ligação", contou à AFP sua mãe, Sandra Milena Pérez. Ela disse que um vizinho ouviu os pedidos de socorro e alertou os socorristas.
A solidariedade ajuda nas buscas. Milhares de pessoas levaram água, alimentos e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas se formaram diante dos centros de doação de sangue.
Em Cali, um grupo de cineastas emprestou microfones, luzes e câmeras para ajudar a identificar sinais de vida. Nas áreas mais atingidas, o "cheiro de carne em decomposição" é "muito forte", disse uma socorrista.
Em El Cairo, a 250 km de Cali, moradores estavam traumatizados. "As pessoas não querem entrar nas casas, não querem dormir, não sabem o que fazer, porque anunciaram réplicas", comentou a cozinheira Adriana González, 40.
Em Roldanillo, uma pequena cidade do Valle del Cauca, Yuliana Méndez, 43, observava desolada sua loja de cosméticos, que ficou destruída. "Dói, porque é como recomeçar do zero. Mas temos que seguir em frente, o que podemos fazer?"
O governo de extrema direita colombiano negou nesta quarta-feira rumores sobre uma suposta recusa, por "considerações ideológicas", de ajuda às vítimas do terremoto.
Segundo o ministro Omar Bula, está sendo aceita ajuda do governo esquerdista do México e de El Salvador, República Tcheca, Alemanha, Luxemburgo, Espanha, Portugal, Catar, Israel, Índia e Chile. "Não excluímos nenhum país."
Em relação ao envio de equipes de resgate, a Colômbia aceitou apenas a participação dos governos direitistas de Estados Unidos, El Salvador, Equador e Israel, informou David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD). "Só aceitaremos apoio desses países, que podem nos garantir grupos de busca e resgate reconhecidos pelo sistema internacional", explicou.
A.Williams--AT