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Socorristas trabalham sem trégua para encontrar sobreviventes do terremoto na Colômbia
Socorristas e voluntários trabalhavam sem descanso nesta quarta-feira (12) na Colômbia em busca de sinais de vida entre os escombros, no terceiro dia após o terremoto que deixou mais de 200 mortos.
O resgate de Daniela Largo, 32 anos, retirada com vida dos escombros durante a noite em meio a aplausos e lágrimas, deu um novo ânimo à desesperada busca por sobreviventes.
"Estou feliz porque já a tínhamos procurado tanto (...) e no momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação", contou à AFP Sandra Milena Pérez, mãe da mulher que passou 35 horas presa sob os escombros de um hotel na cidade de Pereira.
Quase 48 horas após o terremoto de magnitude 7,4 que deixou um rastro de destruição nas principais cidades do oeste da Colômbia, as equipes de emergência trabalham com guindastes, cães e diversos tipos de máquinas. Voluntários formam correntes humanas para retirar os escombros com as mãos.
Os especialistas consideram que a janela crítica para salvar vidas termina em 72 horas.
"Com as mãos, com luvas, trabalhamos (...) É triste ver que o tempo está passando para encontrar pessoas com vida", disse Pablo César Ruiz, voluntário em Cali.
Sobre montanhas de escombros, socorristas e voluntários erguem os punhos e pedem silêncio durante as buscas. Moradores e familiares observam, com grande expectativa, nas calçadas.
A mãe de Daniela contou que um vizinho ouviu gritos de socorro e alertou as equipes de resgate. "Estamos felizes (...) porque o filho de 12 anos está esperando por ela em casa", disse.
- Medo de novos terremotos -
Em Pereira e Cali, as cidades mais afetadas, as famílias dormem nos parques com medo de novos terremotos. Quadras inteiras foram reduzidas a escombros.
"Perdemos tudo, mas estamos vivos", disse John Tabasco, garçom de 23 anos, ao lado da mulher e do filho de sete meses em um parque de Pereira. "Foram momentos de medo, pânico, psicose", acrescentou.
O mesmo acontece na localidade de El Cairo, no Valle del Cauca. "As pessoas não querem entrar nas casas, não querem dormir, não sabem o que fazer, porque anunciaram tremores secundários", declarou à AFP Adriana González, uma cozinheira de 40 anos.
O terremoto deixou 216 mortos e mais de 2 mil feridos, segundo o balanço mais recente.
Para enfrentar o processo de reconstrução, o presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o poder há apenas seis dias, declarou estado de emergência na região.
Durante uma visita a Pereira na terça-feira, De la Espriella anunciou ajuda aos desabrigados, incluindo subsídios de moradia.
Em Roldanillo, uma pequena localidade do Valle del Cauca, Yuliana Méndez, 43 anos, observa com desalento sua loja de cosméticos destruída. "Dói porque é como começar outra vez do zero. Mas temos que seguir em frente, o que mais podemos fazer?", disse à AFP.
A União Europeia anunciou nesta quarta-feira que liberou dois milhões de euros para ajudar a Colômbia. A Espanha vai repassar mais um milhão de euros. O governo dos Estados Unidos ofereceu uma ajuda de 15,5 milhões de dólares.
O tremor evoca a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na mesma região.
T.Sanchez--AT